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Opinião da Gazeta

Morte de soldado da PM mostra uma terra sem lei

Selvageria explícita e galopante obriga que o governo do Estado encare de frente o drama diário da violência urbana, causado pela segregação social e pelo tráfico de drogas

Publicado em 28 de Março de 2018 às 15:45

Públicado em 

28 mar 2018 às 15:45

Colunista

O Espírito Santo chora a morte do policial militar Afonso Miller Costa de Mello, vítima mais recente de uma guerra diária e sangrenta. O tráfico de drogas é o responsável pela explosão no índice de homicídios a partir da década de 1980 e um dos motores por trás da violência urbana que grassa no país. No Estado, o cenário é quase de uma terra sem lei. Mas, mesmo diante de números aberrantes, não podemos nos conformar com mais nenhuma morte.

Pelo número de vítimas e a magnitude social dos crimes ligados ao comércio ilegal de drogas, urge que as autoridades estaduais encarem de frente esse drama que se converteu em um dos maiores desafios da atualidade. Essa selvageria explícita e galopante obriga os governos a investirem de fato em estratégias de defesa social.

O soldado Mello foi baleado na cabeça, no dia 20, ao sair de uma academia no bairro São Torquato, em Vila Velha. Os autores do crime, dois menores, alegam tê-lo confundido com um traficante rival. Dias depois, os irmãos Damião e Ruan foram assassinados com mais de 40 tiros, a poucos metros de casa, no Morro da Piedade. A tragédia suscitou uma onda de indignação e um clamor da comunidade, que sofre há anos com a brutalidade de facções criminosas, que já expulsaram várias famílias do bairro.

As situações são distintas, mas compõem um cenário mais amplo de banalização da vida engendrada pelo tráfico e pelo processo de favelização. É preciso dedicação e urgência nas ações que combatam a pobreza e a segregação socioespacial, fatores que alimentam a vulnerabilidade nas periferias das cidades. Afinal, como sabemos, a falta de perspectivas é o gatilho para tanta barbaridade.

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