Luiz Carlos Menezes*
O que poderia ser feito em curto prazo e a baixos custos para melhorar a mobilidade na Capital? Vejamos os fatos: o sistema viário de Vitória não suporta mais o atual volume de tráfego; a topografia da ilha e suas limitações territoriais não permitem grandes obras viárias; não dispomos de recursos públicos nem de tempo para projetos audaciosos. Diante disso, por que não fazemos o que está ao nosso alcance? Por que não adotamos soluções já aprovadas em outras capitais?
Há, no entanto, muita resistência de alguns técnicos locais à aceitação de experiências bem-sucedidas em outras cidades. Não fosse isso, a ciclovia da Avenida Rio Branco já estaria pronta. Rejeitaram um estudo baseado nos 468 km de ciclovias funcionando em São Paulo, grande parte unidirecionais, instaladas em canteiro central – de baixo custo, sem perda de vagas.
E a Terceira Ponte? Há quanto tempo tenho defendido mais duas faixas e pedágio unidirecional? (medidas já consolidadas na Ponte Rio-Niterói). Os técnicos se opõem às soluções adotadas fora daqui; mesmo se inteiramente aprovadas. Sequer querem conhecê-las! Por isso, vale lembrar: só uma firme vontade política permitirá ao novo governo superar os entraves da nossa burocracia; e avançar na mobilidade.
Permito-me, como estudioso deste problema, sugerir algumas medidas que, a meu ver, fariam jus ao título deste artigo:
1. Elaboração de um projeto de Melhor Utilização do Leito Viário (MULV), com prevalência do binário (mão única), medida adotada na maioria das cidades que enfrentaram este problema e obtiveram bons resultados (como Curitiba);
2. Implantação do aquaviário (barcas com paraciclos) integrado ao modal ônibus e às ciclovias;
3. Eliminação da maioria dos condenáveis semáforos três tempos, perigosos para o pedestre e causadores de engarrafamentos (só possível com o binário);
4. Retirada da maioria das rotatórias, substituindo-as por pequena elevação das faixas de pedestre;
5. Implantação de 6 faixas na Terceira Ponte, e não 5, pois seus 17,50 m livres entre as proteções laterais comportam 6 faixas com largura equivalente às da Reta da Penha (nas horas pico seriam 4 no sentido do maior fluxo, como a Golden Gate);
6. Um novo projeto para os acessos à ponte, incluindo a ligação direta com a Reta da Penha;
7. Desestímulo ao uso do carro, mais ciclovias, mais ruas de pedestres e regulação do uso compartilhado de vans, que ocupam pouco espaço. E, quando a recuperação da economia permitir, o BRT.
*É engenheiro civil, empresário e conselheiro da Ademi-ES e do PDU de Vitória