
Luiz Carlos Menezes*
Não fossem políticas equivocadas de nossos governantes, o Brasil não teria enfrentado aquela semana caótica provocada pela greve dos caminhoneiros. E a população não teria ficado à mercê de rodovias bloqueadas e nem sofrido tantos prejuízos.
Aquele lamentável episódio serviu para evidenciar a nossa total dependência do modal rodoviário, tanto na logística do abastecimento como na mobilidade do cidadão. O brasileiro se tornou refém de um grande equívoco: o rodoviarismo.
O Brasil, com suas dimensões continentais, jamais poderia deixar de contar com uma ampla malha ferroviária, a exemplo dos Estados Unidos, Rússia, China e tantos outros. Não poderíamos também, com o nosso extenso litoral, prescindir de um eficiente sistema de transporte hidroviário. Difícil entender o menosprezo dos governantes por este modal tão utilizado mundo afora.
Todavia, existem alternativas que não exigem grandes investimentos e que poderiam trazer resultados compensadores num pequeno espaço de tempo
A despeito dos transtornos e prejuízos suportados, a greve dos caminhoneiros serviu para aguçar a percepção deste nosso imenso atraso no setor de transportes e a necessidade de políticas adequadas ao enfrentamento do problema. Sabemos, diante das nossas dificuldades econômicas e burocráticas, tratar-se de um grande desafio. Muitos anos serão necessários para avanços consistentes.
Todavia, existem alternativas que não exigem grandes investimentos e que poderiam trazer resultados compensadores num pequeno espaço de tempo. Tanto para o transporte de cargas como para a mobilidade urbana. Vejamos algumas: 1. Incentivos fiscais e financeiros capazes de atrair investimentos privados para o transporte hidroviário - metropolitano e interestadual - de cargas e passageiros (as hidrovias já existem); 2. Táxis movidos a diesel para barateamento deste serviço de uso público, como se vê fora do Brasil - aqui o diesel é permitido para SUVs de luxo, mas não é permitido para taxis, um paradoxo; 3. Regulamentação e estímulo ao uso compartilhado de vans através de aplicativos, como alternativa ao uso diário do carro, sistema já adotado em cidades americanas como Chicago e São Francisco - uma van leva 15 pessoas e ocupa nas ruas o espaço equivalente ao de uma pick-up diesel, que trafega geralmente só com o condutor; 4. Minimização de impostos para todos os meios de transporte movidos à eletricidade - de passageiros e de cargas - para reduzir a dependência de combustíveis fósseis; mais ciclovias e outras medidas de baixo custo.
Com a palavra nossos governantes, parlamentares e gestores dos órgãos responsáveis pelo transporte no país.
*O autor é engenheiro civil, empresário e conselheiro da Ademi-ES e do PDU de Vitória