Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Meio ambiente

Parque Paulo César Vinha pode ser ampliado para novas áreas; saiba onde

Proposta prevê aumento da área de proteção para conter degradação e ampliar preservação ambiental, entre Vila Velha e Guarapari
Nicoly Reis

Publicado em 

10 abr 2026 às 17:23

Publicado em 10 de Abril de 2026 às 17:23

Lagoa de Caraís no Parque Estadual Paulo César VInha
Lagoa de Caraís no Parque Estadual Paulo César Vinha Crédito: Vitor Jubini
O Parque Estadual Paulo César Vinha, um dos principais refúgios de restinga do litoral brasileiro, pode ser ampliado e ganhar novas áreas no Espírito Santo. A proposta de ampliação, detalhada em nota técnica do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), sugere uma resposta ao avanço da urbanização, da extração ilegal de areia e de ocupações irregulares no entorno da unidade de conservação, situada entre Vila Velha e Guarapari.
Criado em 1990 — inicialmente como Parque de Setiba —, o espaço protege cerca de 1.500 hectares de ecossistemas costeiros, incluindo lagoas, dunas, brejos e formações florestais típicas da Mata Atlântica. No entanto, segundo a nota técnica, o crescimento urbano no litoral norte de Guarapari tem aumentado a pressão sobre o parque, gerando risco de isolamento ecológico e perda de biodiversidade.
A ampliação proposta busca enfrentar esse cenário. A ideia é incorporar áreas vizinhas ainda preservadas para garantir a continuidade dos ecossistemas e reforçar a proteção legal — já que a categoria de parque prevê regras mais rígidas do que as zonas de uso sustentável atualmente existentes no entorno.

Quais áreas podem ser incorporadas?

A proposta prevê a anexação de aproximadamente 682 hectares, divididos em duas regiões principais, ambas já identificadas como prioritárias em planos de manejo anteriores (veja no mapa abaixo).
Ampliação Parque Estadual Paulo César Vinha
Áreas que podem ser anexadas ao Parque Estadual Paulo César Vinha Crédito: Iema
Área sul: antigo loteamento em Setiba
Localizada no limite sul do parque, essa área tem cerca de 95 hectares e corresponde ao antigo Loteamento Recreio de Setiba. Apesar da pressão imobiliária histórica, destacada na nota técnica, a região ainda mantém trechos importantes de vegetação nativa, incluindo:
  • Florestas de restinga em estágio avançado de regeneração;
  • Vegetação costeira preservada;
  • Uma rara floresta permanentemente inundada, considerada de alta relevância ecológica.
A área também já foi alvo de embargos judiciais e ambientais, o que, segundo a nota do Iema, reforça seu potencial para integração ao parque como forma de proteção definitiva.
Área oeste/sudoeste: região da Rodovia do Sol
Bem maior, essa porção soma cerca de 586 hectares e fica do outro lado da Rodovia do Sol (ES-060). O local abriga uma diversidade de ambientes naturais, como:
  • Lagoas (incluindo a Lagoa do Sol);
  • Áreas alagadas e brejos;
  • Cordões arenosos com vegetação nativa;
  • Florestas preservadas ou em regeneração.
Além disso, a região é limitada pela planície do Rio Una, que funciona como importante corredor ecológico, conectando diferentes fragmentos naturais ainda existentes.
Apesar do valor ambiental, parte da área já apresenta sinais de degradação, principalmente pela retirada ilegal de areia — um dos fatores que aceleram a urgência da proposta, de acordo com a nota técnica.

Por que ampliar o parque?

A justificativa central é ambiental, mas também estratégica. Segundo o documento técnico, o parque corre o risco de se tornar uma “ilha verde” cercada por ocupação urbana, o que compromete o fluxo genético de espécies e a manutenção dos processos naturais.
Além disso, problemas históricos continuam presentes na região, como a extração ilegal de areia, que destrói a vegetação e altera o solo, ocupações irregulares em áreas sensíveis, como alagados e restingas, e a expansão urbana desordenada, muitas vezes sem infraestrutura básica.
Nesse contexto, a ampliação seria uma medida considerada urgente para evitar danos irreversíveis aos ecossistemas.

O que muda com a ampliação?

Na prática, a incorporação dessas áreas elevaria o nível de proteção ambiental, já que passariam a integrar uma unidade de conservação de proteção integral. Isso significaria maior fiscalização e controle de atividades ilegais, recuperação ambiental mais estruturada e proteção permanente dos ecossistemas e possibilidade de desapropriação de áreas privadas.
A medida também contribuiria para formar corredores ecológicos e reduzir os impactos da fragmentação ambiental, garantindo maior resiliência à biodiversidade local.
Considerado um dos trechos mais ricos de restinga do Sudeste, o parque abriga centenas de espécies de fauna e flora, incluindo animais e plantas ameaçados de extinção. Essa diversidade, no entanto, depende diretamente da integridade das áreas ao redor, conforme a nota do Iema.

Abertura de consulta pública

Com o objetivo de ampliar o debate sobre a proposta, o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) abriu consulta pública até a próxima terça-feira (17), por meio de formulário disponível em seu site (iema.es.gov.br/consultas_publicas). A iniciativa busca reunir contribuições da população, de instituições e de demais interessados, reforçando a participação social nos processos de gestão ambiental e no planejamento das unidades de conservação.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Acidente com 4 veículos mata uma pessoa na Rodovia Serafim Derenzi
Imagem de destaque
Chuva de 180 mm alaga bairros e deixa estragos em Mucurici
Imagem de destaque
Turismo rural cresce no Brasil e Ruraltur 2026 coloca ES em destaque

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados