Ameaçados de extinção no Brasil, os cavalos-marinhos são alvo de pesquisas no litoral capixaba. Há quase um ano, o Projeto Cavalos-Marinhos, do Rio de Janeiro, monitora a população desses animais no Espírito Santo, com trabalhos em Vitória, Guarapari e Aracruz.
O foco é registrar a presença do Hippocampus reidi, nome científico do cavalo-marinho-do-focinho-longo, que é mais abundante na região.
"A gente entendeu que era importante não só conservar a população do Rio de Janeiro, que já estava bem ameaçada, mas também estender o projeto para São Paulo e ao Espírito Santo para começar a proteger as populações do entorno e ver como elas estão, se estão diminuindo, aumentando…", explicou a coordenadora do Projeto Cavalos-Marinhos, Natalie Feret.
Durante o monitoramento, os pesquisadores medem a temperatura e a concentração de oxigênio na água, além de coletar amostras para avaliar sua qualidade.
Douglas Abreu
Os animais encontrados são fotografados, têm o sexo identificado e o comprimento medido. Como os machos carregam os filhotes durante a gestação, os pesquisadores também verificam se estão grávidos e em qual estágio, para compreender a dinâmica reprodutiva da população.
Águas abrigadas, manguezais e regiões onde os rios encontram o mar estão entre os ambientes estudados pelo projeto. A equipe da TV Gazeta acompanhou o monitoramento na Praia de Santa Cruz e no Rio Piraquê-Açu, em Aracruz, no Norte do Espírito Santo.
Durante a gravação, os pesquisadores encontraram uma fêmea jovem de cavalo-marinho-do-focinho-longo, com cerca de cinco centímetros de comprimento. Após a identificação, o animal foi devolvido aos manguezais do Rio Piraquê-Açu. (Veja abaixo)
Além da gestação dos machos, os cavalos-marinhos apresentam outras características peculiares, como a cauda preênsil, utilizada para se prender a estruturas, e os olhos que se movimentam de forma independente.
Douglas Abreu
Segundo Natalie, o interesse por esses animais também estimula a captura para manutenção em aquários. “Muitos são capturados para aquariofilia; as pessoas gostam de ter cavalo-marinho em casa”, afirmou.
A captura e venda desses animais são proibidas por uma portaria do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Porém, segundo a coordenadora apontou a captura ilegal, a poluição e a captura acidental, principalmente na pesca industrial, como ameaças às populações de cavalos-marinhos.
As pesquisas em torno da espécie também são realizadas em laboratório, localizado entre as praias de Santa Cruz e da Biologia, em Aracruz. Nos aquários, a reprodução do Hippocampus reidi é supervisionada. "Aqui a gente tem uma capacidade de produzir cerca de 500 por mês, mas não chegamos ainda nesse total", afirmou o oceanógrafo Maik da Hora.
No local, também são criados cavalos-marinhos-do-focinho-longo para aquariofilia. A atividade é desenvolvida pela Hippocampus, startup de aquicultura parceira do Projeto Cavalos-Marinhos, que comercializa animais para o mercado internacional.