Em economia, as expectativas têm papel importante nas decisões do presente. Assim como as expectativas se transformam e se movem no tempo, o mesmo acontece com as decisões em cada movimento do tempo. Isso significa que quanto maior a imprevisibilidade em relação ao futuro, mais comedidas e incertas, e muitas vezes erráticas, se apresentam as decisões do dia a dia envolvendo questões econômicas.
E é exatamente o que estamos observando neste início de ano. As expectativas mais favoráveis em relação a uma recuperação cíclica, que teve início no segundo semestre de 2017, estão sendo agora frustradas, provocando um arrefecimento do impulso otimista.
Nem mesmo as quedas sucessivas na taxa básica de juros têm motivado reações mais assertivas no desempenho geral das atividades econômicas, seja pela via do consumo, seja pela via dos investimentos
Em verdade, o que observamos é que a economia vem perdendo potência de “arranque” na medida em que as expectativas favoráveis se defrontam com a volatilidade crescente emanada da política. Nesse aspecto, não devemos imputar as frustrações exclusivamente à incapacidade do governo em efetivar reformas estruturais imprescindíveis, com destaque para a reforma previdenciária, mas sim pela sinalização ou sua quase total ausência em relação ao porvir mais próximo, com desfecho previsto para o mês de outubro.
O que o mercado está precificando agora é a volatilidade política. E essa precificação não se restringe apenas na Bolsa de Valores, que funciona como uma espécie de termômetro das apostas em relação ao futuro. Esta, depois de um pequeno período de euforia, chegando a quase 88 mil pontos, oscila agora num patamar de “espera”, que gira no entorno dos 83 mil pontos. Até outubro, terá o seu movimento ditado sobretudo pelas pesquisas políticas.
Em situação de normalidade, o componente que assegura longevidade a uma retomada cíclica são os investimentos. Porém, estes não têm vida própria. Eles dependem do comportamento e acionamento de outros componentes da equação, que chamamos de demanda agregada geral, com destaque para o consumo, que chega a ser responsável por cerca de 70% do total. Acresce-se ao consumo privado os gastos do governo. A questão é que nenhum desses componentes tem apresentado reações mais consistentes nesta fase inicial de retomada tímida. Os reflexos mais imediatos podem ser observados no desempenho do nível de emprego, que não consegue decolar.
Nem mesmo as quedas sucessivas na taxa básica de juros têm motivado reações mais assertivas no desempenho geral das atividades econômicas, seja pela via do consumo, seja pela via dos investimentos. Os números que medem a atividade econômica geral, revelados pelo IBC-Br, para os meses de janeiro e fevereiro comprovam a situação de verdadeiro “marasmo”. Marasmo que deverá ser carregado, pelo menos, até outubro.
*O autor é economista