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Angelo Passos

Manivela no Cadillac e o ritmo de crescimento das economias

O enxugamento da GM sinaliza que o cenário externo vai dificultar o crescimento do Brasil no próximo ano

Publicado em 29 de Novembro de 2018 às 18:00

Públicado em 

29 nov 2018 às 18:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos Angelo Passos
Cadillac e a economia mundial Crédito: Amarildo

A mega reestruturação da General Motors, que quer fechar cinco fábricas, demitir 14.700 trabalhadores e economizar US$ 6 bilhões até 2020, tem valor universal e realista. O farol do Cadillac (sedan deslumbrante, símbolo do luxo e do glamour automobilísticos) está fraco e indica que adiante há um caminho de escuridão e incertezas que passa nas economias dos países ricos e pobres.

“O crescimento mundial tem sido surpreendentemente baixo”, queixa-se a chefe do FMI, Christine Lagarde. A instituição percebe “riscos significativos” e “nuvens mais escuras” na economia, oriundos de tensões comerciais e geopolíticas.

O alerta será feito aos principais líderes do planeta na reunião do G20, que começa hoje em Buenos Aires. É exatamente essa a sinalização da GM. A inquietação também é denunciada pelo aumento da instabilidade nos mercados financeiros.

Ouve-se pela segunda vez, em uma década, a buzina rouca da GM, anunciando derrapagem. A empresa foi líder de vendas por 76 anos consecutivos, de 1931 a 2007, mas em 2008 as encomendas caíram. Obama usou uma manivela e fez a GM e a Chrysler voltarem a andar: injetou-lhes dinheiro público, US$ 50 bilhões.

Em 2008, quando estourou a crise global, a indústria brasileira operava a pleno vapor, com média de utilização da capacidade acima de 85%. Mas, veio a onda anti-cíclica, e o nosso governo passou a dedicar grande parte da sua arrecadação às montadoras.

De 2009 a 2013, antes da maior recessão verde e amarela, os incentivos ao carro somaram R$ 56,4 bilhões (isenções de IPI e Cide), além de R$ 32 bilhões de desembolso do BNDES para o setor, enquanto os projetos de mobilidade urbana levaram apenas R$ 9 bilhões. O povo anda espremido nos ônibus e nos trens. Na semana passada, Temer assinou o Rota 2030, que prevê incentivos de R$ 2,1 bilhões para fabricar automóveis.

A corrida no mercado dos carros mostra que a reforma tributária de Trump – que agora completa um ano –, e o seu exacerbado protecionismo não têm força para barrar o vento internacional contrário. Imagine o Brasil, num buraco fiscal, atolado em impostos e com baixa produtividade...

Bolsonaro enfrentará o cenário externo arredio. A guerra comercial entre EUA e China reduz o apetite ao risco e isso diminui a atratividade de investimentos no Brasil. É preciso buscar alianças, reformar a Previdência, condição decisiva para a confiança, e intensificar privatizações para atrair investidores. Não é simples assim, porque não existe moleza.

Angelo Passos

Angelo Passos Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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