Natal está sempre associado à solidariedade. E ela, para ser plena, depende de olhos e ouvidos bem abertos, para a percepção daquilo que falta ao outro. É um comprometimento pessoal que pode ter eco entre aqueles que escolheram se dedicar à vida pública, eleitos democraticamente para trabalhar pela coletividade. Essa essência do espírito natalino (crenças e religiosidade à parte, por serem uma escolha de cada um) pode ser um excelente guia para as importantes decisões que deverão ser tomadas pelos mandatos que se iniciam em 2019.
Solidariedade, assim, é a pura atenção aos anseios da sociedade. É governar e legislar para todos, ciente da necessidade de atingir consensos e com a compreensão de que a recuperação do país, em todas as esferas, depende de decisões que não podem mais ser adiadas. Quando se repete tanto a urgência de mais racionalidade nos gastos públicos é justamente por essa razão. Só o equilíbrio fiscal é capaz de promover a retomada do crescimento e, assim, reduzir malefícios sociais como o desemprego e a pobreza. Qualquer vislumbre de uma melhoria significativa da qualidade de vida passa por uma condução mais sensata da economia. Gastar demais – e de forma sistemática – esgota qualquer possibilidade de justiça social. Reformar a Previdência é indispensável, portanto. Sair desse abismo é beneficiar o coletivo.
A solidariedade como parâmetro para a política pode ir além. Quando ela existe, pressupõe-se que esteja acompanhada do diálogo
Mas a solidariedade como parâmetro para a política pode ir além. Quando ela existe, pressupõe-se que esteja acompanhada do diálogo, tão em falta. Pois é a interlocução que possibilita os acordos, fundamentais no jogo democrático, principalmente quando há diferenças que parecem intransponíveis. Já faz algum tempo que o país vem se polarizando. 2018 foi mais um ano marcado pela barreira que dividiu famílias e afastou amigos. Muros foram erguidos, em mais um ano tingido pela intolerância, tão antagônica à solidariedade, e eles precisam ser derrubados.
Espera-se, portanto, que se viva uma transição para uma participação política saudável dos cidadãos, espelhados por lideranças que compreendam seu papel, com comportamento exemplar, sempre buscando fortalecer as instituições democráticas. E que também se solidarizem definitivamente com o próprio país, num Natal que dure bem mais que um dia.