Aos 40 anos, a capixaba Daiane Reis vive uma realidade que parecia distante quando começou a jogar basquete em uma quadra de escola, em Vitória. Advogada por formação, ela trocou a rotina profissional pela oportunidade de seguir nas quadras e, atualmente defende o Basket Borgonovo 1972, da terceira divisão do Campeonato Italiano de Basquete Feminino.
Morando na Itália há sete anos, Daiane joga na equipe da cidade onde vive desde 2023. A mudança aconteceu por motivos familiares, mas o basquete, mais uma vez, mudou os rumos da vida da capixaba. Depois de passar um período longe das competições, ela superou os próprios limites, voltou a jogar e hoje disputa uma das ligas nacionais mais estruturadas da Europa.
Trajetória no basquete e mudança de vida
Criada na periferia de Vitória, Daiane começou a jogar aos 15 anos na escola e, pouco tempo depois, soube que o técnico Cláudio Sampaio montava a equipe feminina no Saldanha da Gama e resolveu participar da seletiva. Mesmo com pouca experiência, conquistou uma vaga e passou a atuar como atleta federada pela equipe capixaba.
"Eu costumo falar que o basquete é a minha vida, porque, graças a ele, eu conheci pessoas incríveis e conquistei coisas que, normalmente, pessoas que vêm da periferia, como eu vim, não costumam conquistar e, graças ao basquete, eu tive várias oportunidades", disse a atleta.
A evolução foi rápida. Em 2004, Daiane foi convocada para defender a Seleção Capixaba no Campeonato Brasileiro de Base, disputado em Alagoas, onde o Espírito Santo terminou com o vice-campeonato. Depois passou pelo Clube dos Oficiais, representou o Estado em diferentes edições dos Jogos Abertos Brasileiros e também atuou como árbitra da Federação Capixaba de Basquete.
Mas uma das maiores conquistas proporcionadas pelo esporte aconteceu fora das quadras: graças ao basquete, Daiane conquistou uma bolsa de estudos para cursar Direito.
"Foi um período da minha vida onde eu treinava no clube, fazia faculdade, e treinava para jogar basquete pela equipe da faculdade. Hoje em dia, eu sou advogada e devo isso ao basquete, porque, se não fosse por ele, acho que nunca nem teria passado pela minha cabeça estudar direito", confessou Daiene.
Das quadras capixabas às italianas
A mudança para a Itália aconteceu há sete anos, quando o marido recebeu uma oportunidade de trabalho no país europeu. Inicialmente, o objetivo era apenas recomeçar a vida em família, mas a paixão pelo basquete falou mais alto. Sem dominar o idioma e sem conhecer praticamente ninguém, Daiane encontrou no esporte uma forma de se adaptar ao novo país.
Ela passou a frequentar uma quadra onde jogava apenas com rapazes, até chamar a atenção de um dirigente de o seu atual clube. Então, foi convidada para uma seletiva, reencontrou o basquete feminino, mas precisou superar outro desafio.
"A primeira impressão que eu tive foi terrível. Primeiro, porque eu estava há muito tempo sem jogar, acima do peso, e segundo porque o nível das jogadoras era muito alto. Eu costumo comentar que eu acho o nível da terceira divisão aqui muito superior ao nível da terceira divisão do basquete no Brasil. Então eu sofri um pouco para conseguir entrar no ritmo delas. Posso dizer que, efetivamente, só do ano passado para cá, que eu sinto que estou conseguindo chegar próximo do nível da minha divisão", assumiu a jogadora.
Agora, durante a pré-temporada, Daiane trabalha para chegar em boas condições físicas ao início da temporada 2026/27. O principal objetivo é ajudar a equipe a conquistar o acesso para a segunda divisão italiana e, depois de completar 40 anos, também pretende disputar campeonatos da categoria master.