
Leonardo Ferraz*
No corre-corre diário, nos apegamos às coisas mais simples, que parecem passar mais tempo conosco do que nossa própria família. A mesa do trabalho, o carro que dirigimos, a bolsa que carregamos. Tudo tem um pedaço do que precisamos para passar o dia confortavelmente e sem nenhuma surpresa desagradável. Afinal, longe de casa, precisamos estar sempre preparados.
Nessa necessidade de se conectar às coisas que estão próximas de nós por grande parte do tempo, procuramos produtos com os quais seja possível desenvolver uma relação, que demonstrem nossa personalidade e que representem um estilo de vida. Por isso, cada vez mais, é possível ver as marcas investindo em estratégias que vendam muito além de uma roupa ou um carro. O que importa agora é a experiência.
Precisamos oferecer canais múltiplos para atendimento ao consumidor, com consistência e comunicação através deles
Desde quando nascemos, quando os pais compram aquela roupa com o time para qual torcem, nossa identidade já está sendo formada. Nossas preferências e gostos podem mudar ou não à medida que adquirimos experiência de vida. Com a personalidade formada, procuramos algo que nos afirme e agregue valor ao que somos.
Então, as marcas perceberam que é preciso oferecer mais. O material já não é o bastante, existem outros produtos similares ou até mesmo iguais. Então, o que falta para diferenciar a escolha do produto X ou Y? É justamente disso que estamos falando, da congruência de ideias e identidade entre a pessoa e marca. Uma relação que pode ser amor à primeira vista, história antiga, mas que também pode ser construída e evoluída.
A partir daí, entram conceitos de marketing variados, chaves para desenvolver o relacionamento com o cliente. Precisamos oferecer canais múltiplos para atendimento ao consumidor, com consistência e comunicação através deles. Ou seja, a compra, a qual vamos chamar de experiência a partir de agora, não acaba depois que o cartão de crédito é aprovado.
Como em um relacionamento, precisamos de que um vínculo seja criado agora que vamos fazer parte da vida de outra pessoa. No mundo dos bens de consumo, a vontade de que esta relação seja um sucesso já começa antes mesmo do momento da compra, e a continuidade se dá fornecendo uma experiência agradável para fazer o cliente se apaixonar.
Depois, a fidelidade e a procura por mais é consequência. Gosto de pensar que a identificação de ideais entre uma marca e um cliente é o que há de mais poderoso para passar a fazer parte da vida daquela pessoa. Juntos, eles formam uma só identidade, através de uma via dupla na qual os dois seguem sempre em frente.
*O autor é gerente de vendas de uma concessionária em Vitória