Maio é, tradicionalmente, o mês de Maria, das noivas e das mexericas. De cinco anos para cá, maio tem sido, também, o mês dos livros, devido à Feira Literária Capixaba, que tem ocorrido em diferentes espaços de nossa Capital, e, há dois anos consecutivos, na Ufes, graças ao apoio do reitor Reinaldo e do secretário Rogerinho Borges. Com isso, a Ufes recuperou o lugar de maior promotora da literatura feita pelos escritores capixabas, papel que ocupa desde os anos 1970, quando a editora da FCAA publicava os principais autores capixabas, sob a batuta de qualidade do Reinaldo Santos Neves.
Hoje, a literatura não tem mais a importância daqueles tempos, em que era importante na divulgação das ideias e da cultura literária produzida em nosso Estado, devido aos novos tempos em que vivemos. Livrarias fecharam, editoras vivem à míngua, pouco se lê nos livros impressos em papel, devido ao fascínio das novas mídias, do apelo das redes sociais, com todos grudados nos celulares, compartilhando mensagens e imagens infinitas desse admirável mundo novo.
Todavia, o livro e a literatura não perderam seu fascínio, haja vista o grande número de livros publicados e a facilidade de qualquer um se tornar autor de livro de qualquer coisa. Na V Feira Literária Capixaba deste ano, cerca de 100 autores lançaram ou reapresentaram seus livros em espaços a eles destinados, mas quase ninguém vendeu livro algum. As pessoas não querem ler, muito menos comprar livros. Todos querem ser autores.
A um jovem pai que foi conversar comigo com sua filha de cinco anos, quis mostrar meus livros recentes, mas ele pouco se interessou, me disse orgulhoso que a filha já lia e já estava escrevendo um livro e só queria informações para publicar livros. Quase me levantei da cadeira e lhes passei o crachá de escritor, gentilmente me colocado ao pescoço pela coordenadora de lançamentos. No mundo em que vivemos, faltam leitores e abundam escrevedores, certamente filhos do Google ou do WhatsApp. Ninguém passa pela escola de Machado de Assis.
A Feira Literária Capixaba, bem como a VIII Bienal Rubem Braga, ocorrida em Cachoeiro, neste mês, foram festas em torno do livro, mas não só dele. Shows musicais, apresentações teatrais, grupos folclóricos, dançarinos, mágicos, são atrativos para que o público infantil e jovem se desloque de suas escolas e vá até um local onde se pretende mostrar o livro e seus autores.
Quem sabe se, uma contação de história, uma conversa com algum escritor, um livro que se folheie rapidamente antes de ser conduzido ao ônibus, não despertem nessa criança ou jovem o interesse por esse objeto tão distante de sua realidade? Mas, certamente, o melhor desses eventos é a oportunidade de participar de palestras, mesas-redondas, depoimentos, ouvindo especialistas e escritores que pensam a realidade e o mundo das ideias, sonhando com um mundo em que o livro e a sua leitura sejam uma rotina, e não uma exceção.
*O autor é professor e escritor