Não é só o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) que recorre a Paulo Guedes quando o assunto é economia. O coordenador do programa econômico do deputado fluminense também já está sendo requisitado pelo candidato ao Senado Magno Malta (PR).
Na manhã de quinta-feira (20), em evento realizado pela Findes com os candidatos ao Senado mais bem colocados nas pesquisas – Magno e Ricardo Ferraço (PSDB) – o parlamentar do PR, ao responder a uma pergunta de um dos empresários da plateia, passou a bola para o “Posto Ipiranga” do presidenciável Bolsonaro.
O questionamento, lido pelo mediador do debate, dizia que o setor produtivo industrial capixaba tem discutido muito sobre medidas capazes de favorecer o empreendedorismo por meio da simplificação de processos, e perguntava de que forma o político contribuiria para melhorar as questões tributárias.
Claramente pouco à vontade com o tema, Malta foi direto: “A minha sugestão é a seguinte. Eu quero sugerir aos senhores que tirem uma comissão para que eu possa intermediar um encontro com Paulo Guedes, que será o ministro de economia do governo. Sei que essas sugestões são importantes para o país e certamente é a visão que ele também tem, de desburocratizar. Imagino que vocês terão grande contribuição e certamente minha participação será efetiva”, falou aos empresários.
A citação ao “guru econômico” Paulo Guedes foi a única durante o evento “Diálogo da Indústria Capixaba com Candidatos ao Governo do Estado e ao Senado”, mas a falta de intimidade e de propostas claras do candidato Magno Malta nessa seara econômica esteve presente durante cerca de uma hora de debate.
Nem mesmo o material de 57 páginas entregue pela Findes aos participantes (dias antes, diga-se de passagem), com a agenda da indústria listando algumas dezenas de ações consideradas estratégicas pela federação para o desenvolvimento do segmento, foram suficientes para encorajar o senador a trazer para a discussão suas ideias ligadas à infraestrutura, sistema tributário, mercado de trabalho e tantas outras fundamentais para a retomada da economia.
Ainda que tenha feito questão de dizer que em todas as discussões envolvendo o setor produtivo capixaba e nacional ele esteve presente – a exemplo da votação da reforma trabalhista, a qual foi favorável – Malta foi raso quando falou sobre economia. Ficou no senso comum de que é preciso desburocratizar e gerar mais empregos, mas não deu caminhos para isso, nem mostrou o que pretende propor no Congresso para mudar o quadro atual.
Ele mesmo chegou a citar que, no Senado, quem transita bem no meio empresarial e entende desses assuntos é Ricardo Ferraço e de forma descontraída falou: “O que nós precisamos é um Brasil desburocratizado, onde o cidadão que produz e gere emprego espere um governo que crie uma ambiência de negócios. Tá vendo Ricardo, o que eu falei? Ambiêêêência de negócios. Parecendo até que eu sou do ramo”, brincou.
Em seu discurso, o candidato do PR falou com mais ênfase sobre áreas em que tradicionalmente ele levanta bandeiras, como corrupção, porte de armas, abuso infantil, segurança pública, maioridade penal e legalização das drogas.
Claro que cada um desses assuntos tem grande importância e precisa ser debatido pela sociedade, independentemente de que lado cada um está no espectro político. Entretanto, é fundamental que não se perca de vista que o próximo ano no Congresso será marcado por debates e votações que envolvem o equilíbrio fiscal. Por mais que esse não seja o ramo do senador, caso seja eleito, esperamos que ele não esteja contando apenas com o Paulo Guedes para tomar as suas decisões.
FHC de pijama
Durante o debate, Magno Malta elogiou a condução econômica de Fernando Henrique Cardoso quando ele foi presidente. Mas logo na sequência disparou: “Eu nem gosto dele. Fala besteira demais e é o arauto da legalização da maconha no Brasil. Devia colocar um pijama e ficar esperando o capitão (Bolsonaro) tomar posse, e não ficar falando bobagem”.
FAZ SENTIDO?
Leitor da coluna chama a atenção para uma certa incoerência de alguns políticos capixabas. Segundo ele, na hora de se manifestarem sobre privatizações, vários se mostram favoráveis e até adotam o posicionamento como bandeira. “Agora, quando é para privatizar alguma estatal capixaba ou instituição com atuação no Estado fica todo mundo quietinho, vide Banestes, Cesan, Codesa...”
DINHEIRO DIGITAL
Quem tem o aplicativo capixaba PicPay vai poder usar o smartphone para realizar pagamentos nas máquinas da Cielo por meio da leitura do QR Code. Até o final do ano, a solução estará disponível em mais de 1 milhão de maquininhas. O CEO do aplicativo, Anderson Chamon, diz que o PicPay projeta movimentar
R$ 10 bilhões em transações, nos próximos 12 meses, e que 9 milhões de pessoas cadastradas serão beneficiadas.