Presidente Kennedy é o exemplo de como a exploração de petróleo, que deveria proporcionar um paraíso financeiro, com reflexo direto nos serviços públicos e na qualidade de vida, pode se transformar num tormento, principalmente para quem mais precisa: a população. No caso do município do Sul do Estado, a gestão dos recursos é tão equivocada que provoca aberrações: uma cidade que já acumula só neste ano R$ 46,6 milhões em royalties, mas não consegue honrar o pagamento de seu funcionalismo.
São pouco mais de 11,5 mil habitantes. Desses, 1.808 são servidores públicos, entre comissionados e efetivos. Percebe-se aí o tamanho do erro, sem grandes esforços. Um município rico na teoria, mas que não consegue reproduzir essa riqueza por precisar arcar com uma máquina inchada. Os investimentos que trariam a verdadeira prosperidade são deixados de lado. Uma cidade que tinha tudo para desenvolver uma economia dinâmica acaba tendo que gastar demais para se sustentar. E mesmo assim falha: 516 servidores ainda estão sem receber os salários de março e abril.
O dinheiro dos royalties, que entra nos cofres do município desde 1999, já deveria ter transformado a economia local, sendo aplicado em infraestrutura e geração de empregos. Mas o excesso de arrecadação parece cegar quem deveria estar de olho no futuro. A prova de que dinheiro, se não for bem aplicado, não resolve os problemas da administração pública. Tudo passa pela gestão.