Como pré-candidato à Presidência, Bolsonaro se comporta como uma mistura de Donald Trump com um ditadoreco qualquer de origem militar, daqueles que abundam na história das repúblicas latino-americanas ao longo do século XX. Já Lula vai ficando cada vez mais parecido com um aspirante a ditador populista de esquerda daqueles que igualmente pululam na história de nações da América Latina, onde valem muito pouco a ordem institucional, o respeito às leis, à Justiça e à imprensa livre.
Durante o governo de Lula (2003/2010), já se percebia o germe autoritário incubado no petista (e no PT) em relação à imprensa. Foi emblemático o episódio em que Lula ordenou a expulsão do correspondente Larry Rohter, do New York Times, em 2004, por causa da publicação de matéria em que o repórter sugeria que o então presidente brasileiro tinha problemas com o álcool. A repercussão na imprensa mundial foi a pior possível, o caso virou incidente diplomático e, orientado pelo então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, Lula voltou atrás, mediante uma “retratação” protocolar assinada pelo repórter.
Fora da Presidência, a postura antagônica de Lula à imprensa tornou-se cada vez mais evidente. Na condição de investigado, depois denunciado, depois réu em mais de uma ação penal, o ex-presidente já vinha fazendo constantes ataques aos meios de comunicação brasileiros, acusados por ele de terem feito um “pacto diabólico” com a MPF, a Polícia Federal e o juiz Sérgio Moro contra ele.
Lula chegou a usar essa mesma expressão em várias palestras e comícios. Disse-o em novembro de 2016 (durante ato do PT em São Paulo) e voltou a fazê-lo em maio de 2017 (durante congresso do partido, também em São Paulo, na presença do ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica). “Se eles não me prenderem logo, quem sabe um dia eu mando prendê-los por mentir?”, ameaçou o ex-presidente, na ocasião.
Agora, condenado em 2º grau na Lava Jato, Lula intensifica a artilharia, reforçada pelos seus “generais” do Estado maior do PT, os senadores Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do partido, e Lindbergh Farias (RJ). Este tem pregado acintosamente a desobediência civil e o descumprimento de decisões judiciais. Daí a rasgar a Constituição e flertar com uma ditadura bolivariana à moda de Chávez e Maduro, é um pulo.
Bravatas similares não param de sair da boca do próprio Lula. No dia 24 de janeiro deste ano, logo após a sofrer condenação em 2ª instância pelo TRF-4, a 12 anos e um mês de prisão, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o petista voltou a afirmar: “Houve um pacto entre o Poder Judiciário e a imprensa, que resolveram que era hora de acabar com o PT e com a nossa governança no país”.
É o caso de se questionar:
Que culpa tem a imprensa se Lula deixou uma quadrilha se infiltrar e roubar a Petrobras e outros órgãos do governo, debaixo das barbas dele, no mais sofisticado esquema de corrupção de que se tem conhecimento no Brasil?
Que culpa tem a imprensa se, na Presidência e após deixar o cargo, Lula se portou como um lobista de megaempresas, aceitando favores para si mesmo e sua família, em troca de favorecimentos obtidos por essas empresas graças à sua influência junto ao governo daqui e de outros países (contratos, linhas de financiamento etc.)?
Que culpa enfim tem a imprensa se, por seu comportamento, Lula passou a ser investigado como qualquer cidadão brasileiro pela Polícia Federal, denunciado pelo MPF, transformado em réu em algumas ações penais e já condenado duplamente na do triplex no Guarujá?
No pouco apreço pela imprensa, Lula e Bolsonaro se encontram e se equivalem. Os dois “opostos ideológicos” têm muito mais em comum do que indicam as aparências. E do que gostariam de admitir.
ESTREITO NO PAVIO
Já em novembro de 2010, finzinho do seu governo, Lula reagiu com agressividade à pergunta (perfeitamente normal) feita por um repórter do Estadão, durante visita dele ao município de Estreito, no Maranhão. O jornalista indagou se a visita era para agradecer o apoio da oligarquia Sarney a seu governo. Em vez de responder à pergunta, Lula atacou o seu autor: “Você tem que se tratar, quem sabe fazer uma psicanálise para diminuir o preconceito”.
VAI DAR SAMBA
Já com a caneta em punho para assinar a ficha de filiação ao PPS – só espera o início da janela para trocas partidárias, em março –, o deputado Josias da Vitória (PDT), opositor do governo Paulo Hartung (PMDB) na Assembleia, voltou para os trabalhos legislativos em 2018 parecendo querer carimbar-se com o selo de aliado do prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS). Da tribuna, elogiou a realização do desfile no Sambão do Povo pela “organização impecável” e chamou a Prefeitura de Vitória de “grande protagonista” da realização do evento. Também citou Renato Casagrande (PSB).
FALANDO EM LUCIANO...
Ladeado por aliados e integrantes do alto escalão, o governador PH entregou ontem reforma do destacamento da PM em Santo Antônio, Vitória. Luciano Rezende se fez representar pelo vice-prefeito, Sérgio de Sá (PSB), que se juntou ao pai, o deputado estadual Zé Esmeraldo (PMDB). Este declarou apoio antecipado à reeleição de Paulo Hartung.
MAJESKI: PALÁCIO NO RADAR
O deputado Sergio Majeski (de saída do PSDB, com destino a um partido de oposição a Paulo Hartung) espalhou ontem pelas redes sociais uma mensagem com o seguinte aviso: “O Senado ou o Palácio Anchieta! Breve decidirei e não adianta fingir que me ignoram, vou dar trabalho!”
POMPEU A FEDERAL
O secretário estadual de Direitos Humanos, Júlio Pompeu, diz que, no que depender dele, está animado a lançar candidatura a deputado federal pelo PDT, e não mais a deputado estadual.
EXPECTATIVA
O presidente da Assembleia, Erick Musso (PMDB), admitiu, na manhã de terça-feira, em entrevista ao Bom Dia ES, que muitos projetos de lei apresentados na Casa são inúteis. Mais inúteis ainda são as sessões solenes e as comendas.
REALIDADE
Na mesma tarde, os deputados aprovaram mais uma: a Comenda do Mérito Dário Martinelli, proposta pela deputada Luzia Toledo (PMDB), campeã nesse quesito. A nova honraria leva o nome do ex-deputado e ex-prefeito de São Gabriel da Palha, considerado o “pai do conilon”. Será conferida aos profissionais da cadeia produtiva do café.
SHOW DA OPOSIÇÃO
Como a ordem na base é não reagir, as sessões plenárias na Assembleia viram, a cada dia, monopólio da oposição. Na última terça, Majeski (de saída do PSDB) criticou, com números, a “continuação da política educacional absurda que continua fechando escolas e turmas”.
ATÉ FREITAS!
Até o deputado Freitas (PSB), normalmente mais discreto em plenário, está se sentindo à vontade para ralhar contra o governo. Fazendo eco a Eucléio Sampaio (de saída do PDT para o PSB), o deputado da sigla de Casagrande criticou decreto de Hartung, assinado no início de janeiro, que flexibilizou o controle de gastos das secretarias de Estado. “Agora a ordem para os secretários é gastar, e gastar rápido. Por que passaram três anos ‘escondendo o dinheiro’ se, em fevereiro do ano passado, duzentas pessoas precisaram ter a vida ceifada porque não tinha combustível para viaturas e para ambulâncias, e agora essa farra?”