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Política

Luiz Inácio Lula da Silva: do passado ao presente

Desde trocou o macacão pelo paletó e gravata da carreira política, Lula ganhou fama de candidato ignorante

Publicado em 13 de Julho de 2018 às 18:55

Públicado em 

13 jul 2018 às 18:55

Colunista

O ex-presidente Lula discursa na comemoração do aniversário do PT
Rômulo Augusto Penina*
Em março de 1993, Luiz Inácio Lula da Silva negou que seja oportunismo sua súbita adesão ao presidencialismo. Na ocasião, alegou que “ministro não erra; quem erra é o presidente”. Quando mudou-se para São Paulo, em 1952, a bordo de um de pau de arara, tinha na bagagem apenas o 5º ano primário. Desde que abandonou o macacão de sindicalista para vestir o paletó e a gravata da carreira política, ganhou fama de candidato ignorante demais para assumir as funções de presidente da República.
Mesmo assim iniciou-se como candidato e hoje, apesar de preso, afirma que “não fugiu da briga”. Tudo seria apenas uma condição. A sua prisão, diga-se de passagem, é uma daquelas tragédias históricas que envergonha, mas é também uma lição que transcende a sua trajetória pessoal e o seu passado tão firme da época de sindicalismo. Porém, o fato também representa o triunfo da lei sobre a impunidade dos criminosos de colarinho branco no país.
A sua prisão, diga-se de passagem, é uma daquelas tragédias históricas que envergonha, mas é também uma lição que transcende a sua trajetória pessoal e o seu passado tão firme da época de sindicalismo
Jamais nos arrependemos por ter votado em Lula. Mas deve-se exaltar seu primeiro mandato, que terminou com brilho, em parte graças à política econômica da era Fernando Henrique Cardoso, e pelo ótimo momento externo, tanto para sua figura pessoal quanto para a imagem do país e o cenário da economia mundial. Tanto que Lula recebeu o maior título de uma universidade do país - o de Doutor Honoris Causa -, além de 32 outras honrarias em universidades do exterior, em parte por sua luta contra a fome.
Daí para frente, Lula elegeu a sucessora Dilma Rousseff. Mas o poder não é eterno, e o ex-presidente é um só. Muita coisa aconteceu e o ex-presidente foi preso. A jornalista Dora Kramer explica: “o importante para o país não é o destino de Lula, mas a decisão de outubro”. As pesquisas eleitorais têm demonstrado um pleito ainda indefinido.
Mas a prisão de um ex-presidente da República não chega a ser um fato inédito. O marechal Hermes da Fonseca, Washington Luís e Juscelino Kubitschek foram presos por razões políticas. Apesar de tudo, não podemos perder a esperança, como diz Carlos Drumond de Andrade: “Eu tenho esperança no homem. Espero dele responsabilidade de viver e respeitar a vida alheia, os seres, as plantas e a vida com um pouquinho de boa vontade e paciência”.
*O autor é ex-reitor da Ufes
 

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