Mais firme do que a argamassa das casas reformadas no "Lar, Doce Lar", do "Caldeirão". Mais quente e grudada na carne do que a cera usada pela personagem Tiazinha no antigo "H". Assim está a relação política entre o apresentador de TV Luciano Huck e o governador Paulo Hartung (ambos sem partido).
Brincadeiras à parte, a conexão entre os dois é seriíssima e pode render frutos políticos e alianças eleitorais no futuro. Foi com essa convicção que ficou quem assistiu ao painel "A renovação política brasileira e os desdobramentos futuros", na tarde desta sexta-feira (23), primeiro dia do 13º Encontro de Lideranças.
Da mesa também participou o empresário Eduardo Mufarej, idealizador do RenovaBR, movimento cívico voltado à formação de novos líderes políticos, que conta com o apoio de Huck desde a fundação, em outubro de 2017, e que a partir de 2019 continuará com a colaboração pessoal de Hartung.
"Pior do que os números do nosso país, pior do que o déficit público do nosso país, é o déficit de liderança do nosso querido Brasil. Então, uma mesa como essa tem tudo a ver. Conexão absoluta”, realçou o governador.
Mostrando intimidade, ele e Huck se trataram pelo primeiro nome diante da plateia. Mas a sintonia entre eles não parou aí. Também despontou da troca de elogios, das manifestações de admiração mútua e, acima de tudo, dos discursos políticos alinhados. É fato: a dupla HH está no mesmo projeto, no mesmo movimento e expressa uma visão de país muito parecida.
Hartung classificou como "belíssimo" o trabalho de Huck no RenovaBR e no Agora!, "uma incubadora de políticas públicas que foi super bem", na definição do apresentador.
Na palestra, Huck tratou Hartung como alguém que "virou referência para a gente [do RenovaBR]". Na entrevista, referiu-se a ele como um "bom norte". O apresentador confirmou que Hartung participou de "boa parte das conversas" relacionadas à "convocação que a gente teve neste último ano", que "em nenhum momento foi um projeto pessoal meu".
Implicitamente, a alusão de Huck é à sua pré-candidatura à Presidência, movimento do qual ele acabou recuando e que teve entre seus entusiastas o próprio Hartung e o economista Armínio Fraga, que os apresentou. Hartung lembrou esse momento, aproveitando para elogiar o novo aliado.
"Vou falar com o coração na mesa. Fui apresentado ao Luciano pelo Armínio Fraga. Me surpreendi com a qualidade da reflexão do Luciano. Fui informado sobre a possibilidade de ele ser candidato à Presidência. Vi pesquisas que mostravam o Luciano com números impressionantes. Ele fez a reflexão com a família, não participou do processo eleitoral", lamentou Hartung, fazendo, porém, "duas ressalvas".
RESSALVAS
"Primeiro, mesmo não sendo candidato, ele não parou de fazer esse movimento de formação de novos líderes. Segundo, logo depois da eleição, ele deu uma entrevista ao 'Estadão' e disse claramente: 'Não vou sair desse processo. Vou continuar ajudando a formar gente, a qualificar gente, a fazer um movimento cívico que ajude o Brasil a ter outro quadro no Parlamento'."
Segundo Hartung, "estar junto com o Luciano é tudo de bom". "Aquilo que for possível a gente fazer junto eu acho que nós vamos fazer, no sentido de formar novas lideranças, fortalecer a ideia de qualificar o setor público brasileiro."
O apresentador retribuiu as mesuras.
"ACELERADOR"
Ao conhecer dados sobre o Espírito Santo no governo de Hartung, Huck disse ter ficado com a sensação de que o Estado tem um "acelerador". "Quando fui conversar com o Paulo, falei 'caraca, as coisas estão se materializando no Espírito Santo'. As coisas parecem que acontecem mais rápido aqui. O Espírito Santo teve esse poder e está tentando esse poder de fazer as coisas acontecerem e melhoraram lá na ponta, na vida das pessoas."
O apresentador é conhecido por ser um grande incentivador da educação de qualidade. Por isso, ele destacou o desempenho do Espírito Santo no Ideb em 2018.
"O que me sensibiliza e o que me mobiliza é assim, bicho, não dá pra ficar do jeito que está. E eu acho que você encontrar como eu encontrei no Hartung, no governador, poucas lideranças que estão aí estabelecidas que a gente tem que usar como norte... Ou seja, que conseguiu tratar a política de fato como uma ferramenta de transformação. E você vê o Espírito Santo hoje, o índice que eu mais gosto aqui, botar o Espírito Santo em 1º lugar no Ideb em poucos anos. Acho que essa é a grande semente que está plantada aqui. A cada ano que passar, a educação que vocês estão conseguindo trazer para um patamar muito superior de qualidade vai gerar milhares de histórias transformadoras. E é aí que vale a pena."
"EXCEÇÃO"
Eduardo Mufarej também entrou no coro de reverências a Hartung. Falando criticamente sobre os políticos brasileiros em geral, ele salientou que existem "honrosas exceções, como o governador Paulo Hartung".
PERGUNTINHA
Depois das exposições de Mufarej, Huck e Hartung, abriu-se espaço para perguntas da plateia de empresários e políticos. Um deles quis saber de Huck o que ele pensa sobre o governo Bolsonaro. Pergunta delicada. Mufarej insinuou, de brincadeira, que a pergunta na verdade havia sido formulada por um dos jornalistas presentes: "Quem manda deixar jornalistas também fazerem perguntas?", indagou, arrancando risadas do auditório.
EM TEMPO
Mufarej não estava tão distante da verdade: meia hora antes, a mesma pergunta havia sido feita pelo colunista diretamente a Huck, durante sua breve entrevista.