O envolvimento de agentes da lei com o crime é um duplo golpe. Parte justamente de quem se espera a defesa da ética, da boa conduta, da cidadania. Por isso são tão estarrecedoras as notícias recentes da ligação de guardas municipais, advogados e delegados com atos ilícitos, que vão desde falsificação de documentos e improbidade até tráfico de drogas e facilitação à fuga de preso.
Em Vila Velha, a morte de um criminoso, sentenciado por traficantes pela perda de uma pistola 9 mm, levou a polícia a suspeitar da conduta de seis agentes da guarda municipal. O homem assassinado alegou, antes da execução, que a arma havia sido apreendida – mas ele não foi autuado, nem a pistola foi levada à delegacia. Os rastros deixados pela operação criminosa revelaram uma série de crimes. Apenas na casa de um deles, foram encontrados diversos tipos de drogas, munições e balanças de precisão.
Já em outra trama rocambolesca, revelada ontem pelo Gazeta Online, dois delegados, quatro investigadores, um advogado e uma escrivã da Polícia Civil são alvos de ações penais ou de improbidade administrativa pela prática de crimes como a venda de carro apreendido e a facilitação de fuga de preso. As ações foram propostas pelo Ministério Público Estadual, e três deles já foram afastados de suas funções.
Um Brasil mais ético, em que a corrupção não apareça como notícia banal nos jornais, começa pela probidade das forças de segurança. É preciso cobrar ação enérgica da corregedoria, do Ministério Público e da Justiça nas investigações e na punição dos envolvidos. Os agentes da lei devem servir como exemplos para a sociedade. Bons exemplos.