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Carlos Alberto Di Franco

Legalização da maconha não acaba com o tráfico e a violência

A maconha, droga glamourizada pelos defensores da descriminalização, é frequentemente a porta de entrada para outras drogas

Publicado em 06 de Setembro de 2018 às 15:07

Públicado em 

06 set 2018 às 15:07
Carlos Alberto Di Franco

Colunista

Carlos Alberto Di Franco

Uso de cigarro, maconha e outras drogas Crédito: Pixabay/Divulgação
A pacata capital do Uruguai vive dias de tensão depois de que o governo anunciou que o número de homicídios no país cresceu 66% na primeira metade de 2018 com relação ao mesmo período do ano passado. Também subiram os registros de furtos a domicílios e assaltos à mão armada. Segundo as autoridades locais, 40% desses delitos estão relacionados ao tráfico de drogas. A informação consta em matéria da “Folha de S. Paulo”.
O Uruguai, que já permitia o consumo da maconha, legalizou a produção e a venda da droga em julho de 2017. Naquela ocasião, em entrevista à revista “Veja”, o presidente Tabaré Vázquez falou a respeito da política de drogas de seu país.
Indagado se acredita que a regulação da maconha vai reduzir o narcotráfico e a criminalidade, Vázquez deixou claro que estão caminhando em terreno desconhecido e incerto. “É muito cedo para tirar conclusões desse tipo. Teremos de esperar um tempo maior. Só então veremos o que aconteceu”. É uma aventura. Pode custar muitas vidas. Os resultados da aventura estão aí: aumento assustador do número de homicídios.
As drogas estão matando a juventude. A dependência química não admite discursos ingênuos, mas ações firmes e investimentos na prevenção e recuperação de dependentes
Na verdade, os defensores da regulação, lá e aqui, armados de uma ingenuidade cortante, acreditam que a descriminalização reduzirá a ação dos traficantes. Mas ocultam uma premissa essencial no terrível silogismo da dependência química: a compulsividade. O usuário, por óbvio, não ficará no limite legal. Sempre vai querer mais. É assim que a coisa acontece na vida real. O tráfico, infelizmente, não vai desaparecer.
A psiquiatra mexicana Nora Volkow é uma referência na pesquisa da dependência química no mundo. Foi quem primeiro usou a tomografia para comprovar as consequências do uso de drogas no cérebro. Desde 2003 na direção do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas, nos Estados Unidos, Volkow é uma voz respeitada.
A cientista foi entrevistada também pela revista “Veja”, faz alguns anos. “Que efeito essas drogas têm sobre um cérebro esquizofrênico?” A resposta foi clara e direta: “Portadores de esquizofrenia têm propensão à paranoia e tanto a maconha quanto a DMT (presente no chá do Santo Daime) agravam esse sintoma, além de aumentarem a profundidade e a frequência das alucinações. Drogas que produzem psicoses por si próprias, como metanfetamina, maconha e LSD, podem piorar a doença mental de uma forma abrupta e veloz”. De lá para cá nada mudou.
Além disso, a maconha, droga glamourizada pelos defensores da descriminalização, é frequentemente a porta de entrada para outras drogas. “Há quem veja a maconha como uma droga inofensiva”, diz Nora Volkow. “Trata-se de um erro. Comprovadamente, a maconha tem efeitos bastante danosos. Ela pode bloquear receptores neurais muito importantes”.
As drogas estão matando a juventude. A dependência química não admite discursos ingênuos, mas ações firmes e investimentos na prevenção e recuperação de dependentes.

Carlos Alberto Di Franco

É jornalista e bacharel em Direito. Especialista em Jornalismo Brasileiro e Comparado. Doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra. Neste espaço, jornalismo e sociedade têm destaque

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