Mais do que decidir o destino pessoal e político do principal réu, Lula, o julgamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, ocorrido no último dia 24, em Porto Alegre, teve o mérito de, mais uma vez, confrontar a Operação Lava Jato com a corrupção da classe política brasileira. De um lado, o trabalho talentoso, paciente e eficaz da Polícia Federal, complementado pelo Ministério Público, desvendando os meandros da teia de promiscuidade das relações mantidas entre agentes públicos e privados para subtrair recursos do povo brasileiro em proveito de interesses condenáveis. De outro, os defensores dos autores dos delitos tentando livrá-los da condenação utilizando de filigranas jurídicas que são fartas no vasto cipoal da nossa legislação penal.
De um lado estavam os desembargadores que se debruçaram com atenção nas peças do processo não para julgar “as pessoas, mas fatos em que, de alguma forma, elas se envolveram”, como chegou a destacar um deles. Nos seus votos, esmiuçaram cada um dos delitos praticados pelos réus a partir das inúmeras provas materiais e testemunhais contidas no processo. De outro, os advogados dos réus que insistiam em argumentos repetitivos, a grande maioria já superada em decisões anteriores do próprio TRF4, tentando, a todo custo, livrar os seus clientes das acusações formuladas.
Nos julgadores ficava evidente o cuidado que tiveram em embasar seus votos nas peças contidas nos autos, concluindo pela existência, no caso de Lula, da prática dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Entre os defensores dos réus, sobressaía a tentativa de politizar a questão, chegando até mesmo à alegação de suspeição do juízo de primeira instância cuja sentença estava sendo apreciada.
Fora do tribunal, destacavam-se dois tipos de manifestações populares. Em um deles, camisas e bandeiras verde-amarelas em apoio à Operação Lava Jato, ao combate à corrupção e à condenação dos acusados. Em outro grupo, de camisas vermelhas, eram gritadas palavras de ordem contra e a Lava Jato e o juiz autor da sentença de condenação em primeira instância, sustentando que tudo não passava de “uma farsa” para impedir que o principal acusado de corrupção, Lula, disputasse as eleições presidenciais.
O dia 24 de janeiro de 2018 realmente passou a ser um marco na história do Brasil: o dia em que a Operação Lava Jato, a responsável pela maior limpeza ética da história política do país, nocauteou, por 3x0, a corrupção. Com isso, reacende, nos brasileiros, a esperança de que a impunidade deixe de ser a regra para virar exceção em nossa sociedade.
*O autor é jornalista