Adriano Oliveira*
Nos períodos eleitorais, existem os candidatos da moda. Estes são criados pelos cientistas políticos, jornalistas e partidários. Bolsonaro e Luciano Huck foram os candidatos da moda até recentemente. Hoje, Marina Silva e Joaquim Barbosa são os candidatos da moda. O candidato da moda é aquele que aparece bem na pesquisa, em particular na intenção de voto.
Após o recente Datafolha, comprovei, mais uma vez, que a pressa atrapalha a perfeição da análise eleitoral. Segundo vários atores, Marina Silva, a candidata sem tempo de TV, por enquanto, herda os votos de Lula. A candidata da Rede é um bom produto. Já mostrou que tem condições de ter bom desempenho eleitoral. Mas para Marina herdar os votos do Lula, o qual não deve ser candidato, a influência de Lula na eleição precisa ser mínima. Tal possibilidade não é, hoje, factível.
Segundo o Datafolha, 38% dos eleitores, em outubro de 2013, declararam que votariam no candidato que Lula indicasse. Naquele ano, o lulismo estava no auge. Navegava nas nuvens. Era imbatível. Não existia Lava Jato. Hoje, a conjuntura é diferente. Mas, mesmo assim, o Datafolha revelou em sua última pesquisa que 30% dos eleitores pretendem votar no candidato apoiado por Lula.
Entretanto, a pesquisa do Datafolha revelou, em outubro de 2013, que 31% dos eleitores não votariam em um candidato apoiado por Lula. No recente Datafolha, 52% dos eleitores não votam em um candidato apoiado por Lula. Portanto, o lulismo sofre forte rejeição. Diante disto, indago: Quem será o candidato que conquistará os eleitores que não votam em Lula?
Inicialmente, os candidatos de oposição a Lula podem conquistar eleitores em 52% do eleitorado. Esta é, aparentemente, a fatia do eleitorado que Joaquim Barbosa e Marina Silva podem conquistar. Mas eles podem conquistar eleitores do Lula? Vocês sabem que o ex-ministro do STF foi o algoz do PT e do Lula no Caso do Mensalão. E Marina Silva nunca fez um gesto ao eleitorado do Lula. Portanto, volto a indagar: Joaquim e Marina podem conquistar fortemente os eleitores que declaram votar em um candidato apoiado por Lula?
Joaquim Barbosa “vem de baixo”, tem origem pobre e combate a corrupção. Marina “vem de baixo”, tem origem pobre e combate a corrupção. Ambos, portanto, são semelhantes. E têm estórias de vida parecidas com a do Lula. Contudo, a única coisa que os diferencia é: Não podem se apresentar ao eleitor com o apoio de Lula. Se assim é fato, eles disputam o eleitorado de oposição a Lula. E qual é o eleitorado de Lula? Hoje, segundo o Datafolha, 30% dos que estão dispostos a escolherem um candidato apoiado pelo ex-presidente.
Lembro que Joaquim Barbosa e Marina Silva têm desafios políticos. Ambos construirão alianças e ampliarão o tempo de TV? O PSB aceitará Joaquim candidato e desprezará o PT em estados do Nordeste e o PSDB em São Paulo? Hoje, Joaquim e Marina são modas. Geram expectativas. Mas por enquanto são apenas bons homens públicos e não candidatos com potencial.
* O autor é cientista político e professor da Universidade Federal de Pernambuco