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Editorial

Interdição e proteção

Falta de um plano emergencial de evacuação da Terceira Ponte e de amparo aos usuários é uma falha grave que precisa ser corrigida

Publicado em 22 de Setembro de 2018 às 21:30

Públicado em 

22 set 2018 às 21:30

Colunista

Terceira Ponte ficou oito horas interditada Crédito: TV Gazeta
As oito horas de interdição da Terceira Ponte no último dia 10 provocaram uma reação oportuna do Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Não se ousa negar, neste espaço, que todo e qualquer esforço empreendido para salvar uma vida é válido (e necessário) nas situações em que pessoas são levadas ao local, movidas pelo desespero. Mas o flagrante desamparo da população não só naquela segunda-feira, mas também nas ocasiões anteriores, torna-se inaceitável pela sua recorrência. É uma falha grave a inexistência de um plano de ação emergencial, com medidas que já deveriam ser protocolares, para garantir a integridade física de todos os cidadãos circunstancialmente envolvidos.
Uma estrutura colossal como a da Terceira Ponte, sujeita até mesmo a intempéries, é o tipo de construção que exige planos de evacuação muito bem elaborados. É preciso treinamento.
A concessionária Rodosol e o poder público têm responsabilidade pelo bem-estar de seus usuários. Um compromisso que recai sobre os agentes designados a garantir a segurança pública, no caso a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros Militar e as Guardas Municipais de Vitória e de Vila Velha.
A pronta mobilização da 27ª Promotoria Cível de Vitória na abertura de um inquérito civil para averiguar a possível violação de direitos no episódio é um importante capítulo no debate em torno das interdições da ponte por conta de tentativas de suicídio. Por outro lado, há também o clamor pela implantação de uma barreira de proteção, uma prioridade para que a ponte deixe de ser cenário dessas investidas, mesmo que se saiba que o problema do suicídio como questão de saúde pública é muito mais profundo. Há uma promessa de que a instalação tenha início até o fim do ano, cobrança que será certamente feita por este jornal.
Tão preocupante é o caos da interdição, interrompendo o direito de ir e vir e causando transtornos sérios, envolvendo até mesmo a saúde das pessoas. Cobrar por ações coordenadas em situações excepcionais como essa equivale a defender a vida e a segurança de todos, sem distinção. Com a bênção da Constituição.

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