Tenho a sensação (ou certeza!) de que insegurança generalizada permeia nossa sociedade, como o evidenciam os exemplos seguintes.
Na Educação: apesar da promessa “Brasil, Pátria Educadora”, invisível é uma educação universal e qualitativa, pois, em recente pesquisa sobre Matemática, Ciência e Leitura em 70 países, o Brasil ficou em 63º lugar: reprovado! Daí a insegurança cidadã!
Na Saúde: segundo estatísticas, em razão de deficiências sanáveis, frutos de negligência, imprudência ou imperícia, morrem, diariamente, nos hospitais, 829 pacientes (três pessoas a cada cinco minutos). Isso por ineficiência do poder público. Daí resulta grave contradição: onde se busca a cura, encontra-se a morte!
Na Segurança: infelizmente, também destacam-nos (somo o 5º entre 95 países). Em 2016, ocorreram 61,6 homicídios (29,9 para cada grupo de 100 mil habitantes). No trânsito, 60 mil mortes anuais, além dos sequelados, também por ineficiência do poder público, por facilitar a habilitação, não educar e não punir os infratores. Aliás, no setor do trânsito, infelizmente, a insegurança trafega livre e velozmente, como comprova o 4º lugar no ranking mundial.
Na Política: a sua abordagem me remete, necessariamente, à ética, que falta a muitas lideranças superiores, quer integrantes anteriores, quer membros atuais, das cúpulas do Executivo e do Legislativo federais, e até em nível de Estado, como no Rio de Janeiro, onde o quadro é sui generis, com três ex-governadores presos: Sérgio Cabral e o casal Anthony e Rosinha Garotinho.
A insegurança é do tamanho do Brasil: somos o 79º em corrupção e não existindo educação universal e qualitativa; duvidosas são a carta do motorista, o diploma do formando e a representação do político.
Já disse alhures que nosso maior problema - a corrupção - é cultural. Como saná-lo? Acho que, como a crise vigente fruto de incompetência e desonestidade de ex e de atuais integrantes do Executivo e Legislativo, a solução justa deve emanar do seio da sociedade, através de ação coletiva, consciente e organizada, em forma de mutirão permanente, que deve encartar a execução simultânea de duas medidas convergentes: uma, de natureza educacional; e outra, repressiva.
Conclusão: a educacional requer que os pais ministrem ética aos filhos em casa; os professores, aos alunos nas escolas; os padres e pastores, aos fiéis; os cidadãos, nas ações cotidianas. A repressiva requer dos delegados apuração de ilícitos; promotores que denunciem; que juízes sentenciem em tempo razoável.
*O autor é ex-deputado estadual e promotor de Justiça inativo