Poucos indicadores são tão eficientes quanto a produção industrial para expressar o ritmo da economia. O avanço de 2,5% em 2017, após três anos em queda, coroa a saída do país do fosso da recessão. É o melhor resultado desde 2010, ano de pico no crescimento: 10,2%.
Mas quando a produção das fábricas voltará ao patamar de 2010? Provavelmente, só em 5 a 6 anos, se não houver entrave significativo. A indústria não dá saltos, e a demora na recuperação é compatível com a dimensão das perdas com a recessão.
No Espírito Santo, a crise foi mais aguda. O PIB capixaba recuou 12,2% em 2016 – ano tenebroso para a indústria. A produção desabou 18,8% em 12 meses. O diferencial do Estado é que a sua dinâmica de reconstrução é muito mais ágil do que a nacional, em função das características da economia. Aliás, o nosso PIB deve retomar neste ano a tradição de crescer mais do que o do Brasil.
Mas o diagnóstico sobre a saúde das fábricas em todo o país não é bom. Revela atraso em tecnologia, doença que pode levar o empreendimento à morte. Até porque, o mundo vive nova onda de mudanças de processos produtivos, baseadas na digitalização e na robotização.
Estudo inédito da Confederação Nacional da Indústria aponta que, de 24 ramos de atividades, 14 estão defasados em relação aos rivais globais. Apresentam produtividade inferior à média internacional. Trabalham com baixo grau de inovação. Assim, longe das melhores práticas da automação, têm pouca inserção no comércio exterior.
Essas empresas conseguirão mascarar suas limitações enquanto continuarem vendendo para mercado interno. Mas quanto tempo isso vai durar? Sem condições de enfrentar a concorrência globalizada, pode chegar o momento em que seus produtos serão substituídos por importados. Esta já é uma realidade em relação a vários bens. “Sem inovação, país não conseguirá dar uma guinada de produtividade – elemento fundamental para o crescimento”, adverte a CNI.
O governo tem parte da culpa pela dificuldade de atualização tecnológica das indústrias. Máquinas e equipamentos custam 37% mais caros no Brasil do que nos EUA, devido ao excesso de impostos.
*O autor é jornalista