Publicado em 25 de agosto de 2025 às 15:43
- Atualizado há 5 meses
Promessa do governo Lula para ajudar a população de classe média a comprar a casa própria, a faixa 4 do Minha Casa Minha Vida (MCMV) foi lançada em maio, mas ainda não deslanchou, conforme números do setor obtidos pelo Estadão/Broadcast. A expectativa de governo e construtoras é que o novo segmento ganhe tração ao longo dos próximos meses, mas, enquanto isso, começam a surgir algumas conversas em torno de possíveis ajustes para acelerar os negócios.>
A nova faixa entrou em vigor em maio. Desde então, a Caixa Econômica Federal acumula 7 mil contratos assinados, o equivalente a 5,8% da meta de contratação anunciada pelo governo, de 120 mil moradias. Neste momento, o banco tem outros 15 mil contratos na esteira de negociações. Além disso, contabiliza mais de 1 milhão de simulações, o que demonstra um grande interesse da população, avaliou o diretor de crédito imobiliário do banco público, Roberto Ceratto. "O número de simulações é um bom sinal", diz.>
A faixa 4 é destinada para famílias com renda mensal de até R$ 12 mil e vale para a compra de moradias de até R$ 500 mil. A grande vantagem é o financiamento de até 420 meses com taxa de juro subsidiada, de apenas 10% ao ano, ao contrário dos negócios fora do programa, em que a taxa média está em 13% ao ano. >
O juro alto é a grande barreira para as famílias comprarem imóveis atualmente, pois encarece a parcela do empréstimo bancário. Com esta iniciativa, o governo tenta recuperar o poder de compra da população.>
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"Estamos lidando com um público que, até pouco tempo atrás, não tinha opção de mercado por causa dos juros altos. Leva um tempo até as construtoras adaptarem seus projetos e atraírem esse público de volta", comenta o diretor da Caixa. >
Ceratto avalia também que, por enquanto, é cedo para falar em ajustes na nova faixa do programa habitacional. "A faixa 4 está andando e vai crescer mais nos próximos meses. Agora é preciso dar segurança e continuidade ao projeto", complementa.>
Já o vice-presidente de Habitação de Interesse Social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Clausens Duarte, disse que a evolução da faixa 4 está abaixo da esperada desde maio, uma vez que o governo previa contratar 120 mil moradias até o fim do ano que vem, o que apontaria para um média próxima de 10 mil contratações por mês. "Então, está abaixo da curva esperada", cita.>
Uma das razões para isso é que faltam casas e apartamentos novos para se enquadrar no segmento. "A nova faixa foi uma surpresa positiva, mas o setor não estava preparado. O volume de oferta para essa faixa estava reduzido", pondera Duarte. >
"O setor recebeu de forma positiva e agora está trabalhado no desenvolvimento de produtos. A expectativa é que os lançamento e as vendas neste segmento aumentem ao longo dos próximos 12 meses", diz. Enquanto isso, as contratações estão concentradas nos imóveis usados e em apartamentos novos de empreendimentos já lançados, que estão sendo encaixados no programa.>
O representante da CBIC acrescentou à Broadcast que o financiamento para as construtoras na faixa 4 do MCMV começou a rodar, mas com recursos de tesouraria (ou seja, sem juro subsidiado, como acontece para os compradores). E por conta disso, ainda não se tornou muito atrativo para os empresários. >
Segundo Duarte, há uma conversa com o governo em torno da viabilização de uma fonte de recursos com custo mais competitivo para financiar a produção para essa faixa. "O governo estuda flexibilizar financiamento para pessoa jurídica na faixa 4 do MCMV para acelerar lançamentos", afirma.>
Ao todo, a faixa 4 conta com orçamento de R$ 30 bilhões, sendo que metade sai do fundo social do pré-sal e a outra metade de recursos de tesouraria da própria Caixa. "Vamos avaliar como será o comportamento desse orçamento ao longo das próximas semanas. Nossa expectativa é que tudo seja consumido até o fim de 2026", disse, em entrevista, o diretor do Departamento de Planejamento e Política Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Daniel Sigelmann. "É natural o programa começar mais lento e depois acelerar", emendou, acrescentando não ter conhecimento de mudança nos parâmetros no momento. "É muito cedo para isso", opinou.>
O presidente da Direcional, Ricardo Ribeiro, acredita que a recém-criada faixa poderia ser submetida a adequações por parte do governo, tendo em vista que o orçamento para o segmento tem sido consumido em ritmo mais lento que o programado. >
"O governo deve olhar com lupa o consumo de recursos da faixa 4. Se estiver mais lento, acredito que pode ter algum tipo de ajuste. Caso haja qualquer tipo de ajuste, creio que seria positivo para o incremento do affordability (poder de compra)", diz.>
O diretor financeiro e de relações com investidores da MRV&CO, Ricardo Paixão, disse considerar normal que o ritmo de contratações do mercado esteja andando mais lentamente neste momento. >
"Para nós, está indo muito bem. Mas é normal levar um tempo para o público e os times de vendas se adaptarem", acrescenta. Neste momento, a MRV&CO está vendendo unidades de empreendimentos já lançados, cujos preços estavam acima da faixa 3 (que vai até R$ 350 mil).>
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