Nos últimos anos, a temática da missão voltou, com intensidade, ao centro do debate na Igreja. Com certeza, o papa Francisco contribui a reavivar o espírito missionário na Igreja. A sua criativa expressão “Igreja em saída” questiona, seriamente, um tipo de pastoral de “conservação” que continua a ser dominante em vários âmbitos da Igreja Católica.
Contudo, o projeto da “Igreja em saída” não está preocupado com a multiplicação de atividades. Seu objetivo é moldar a comunidade cristã por uma verdadeira espiritualidade missionária, fundamentada no mandato missionário de Jesus Cristo de anunciar o Evangelho a todos.
Compreende-se por espiritualidade missionária a evangélica opção pelos excluídos na sociedade e na Igreja, em suas periferias existenciais. Enxerga a amplitude do mundo a partir dos esquecidos na sociedade. Infunde carisma profético de anúncio da verdade e de denúncia dos males que deturpam a dignidade humana. Não deixa as pessoas protegidas nas estruturas eclesiais. Muito pelo contrário, prepara-as para o enfrentamento da hostilidade por causa da justiça, até o dom total da própria vida, como nos recordam os/as mártires de ontem e de hoje.
Enfim, a espiritualidade missionária é imbuída de contemplação. De fato, sem a experiência de Deus, a missão perde credibilidade e se torna mero proselitismo. Somente a capacidade contemplativa gera homens e mulheres que, por uma vida grávida da Palavra, testemunham o que viram, ouviram, contemplaram, apalparam e, como sal da terra e luz do mundo, evangelizam por atração.
Missão não é privilégio de algumas pessoas ou grupos na Igreja. Todo fiel cristão deveria sentir a alegria de ser enviado a compartilhar a boa-notícia do Reino de Deus em qualquer lugar e situação existencial e, assim, tornar realidade o sonho da “Igreja em saída”.
*O autor é padre da Diocese de Cachoeiro e professor universitário