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Sexo

Masturbação: quando a prática vira vício?

O mês de maio é conhecido como o Mês Internacional da Masturbação no calendário da saúde sexual. Entenda quando o ato se torna prejudicial

Publicado em 25 de Maio de 2023 às 21:00

Publicado em 

25 mai 2023 às 21:00
Sirleide Stinguel

Colunista

Sirleide Stinguel

Orgasmo masculino, masturbação
Orgasmo masculino, masturbação Crédito: Shutterstock
O mês de maio é conhecido como o Mês Internacional da Masturbação no calendário da saúde sexual. Tudo isso porque foi em maio de 1994 que a medica cirurgiã Joycelyn Elders (primeira secretaria de saúde negra dos EUA) sugeriu que a masturbação fosse incluída nos currículos de educação sexual. Por este fato, ela foi demitida, mas seu legado segue em homenagem.
Tocar o próprio corpo ainda é tabu, principalmente, entre as mulheres, onde o bloqueio emocional de não poder ter prazer sozinha vem desde uma criação mais rígida, crenças limitantes ou simplesmente proibição por parte do parceiro.
“A sexualidade é algo muito individual de cada pessoa. Conhecer a si mesmo é a melhor forma de ter e gerar prazer”, descreve a Mestre em Psicologia da Personalidade e especialista em sexualidade humana, Vânia Telles. Ela é minha convidada para esclarecer dúvidas sobre a temática. Confira abaixo nosso bate-papo:

Quando a masturbação deixa de ser saudável e vira vicio?

VÂNIA - Quando o ato vira uma necessidade a ponto de trazer riscos ao indivíduo. O vício em masturbação se caracteriza por uma prática diária e com uma frequência que atrapalha as outras atividades cotidianas como, por exemplo, o trabalho e estudos. Outro fator é que o ato, quando vicioso, acontece em qualquer lugar que a pessoa consiga se isolar e essa prática diária acontece por um período maior do que 6 meses.

Como o vício em masturbação afeta as pessoas?

A hiperatividade em praticar a masturbação é considerado um transtorno do comportamento sexual e de distúrbio a saúde mental, caracterizado por um padrão persistente de falha em controlar o impulso ao acesso, resultando em comportamento sexual repetitivo. As consequências vão desde a insatisfação psicossexual, disfunções sexuais, transtorno de humor a perda de interesse no ato sexual. O vicio pode comprometer o indivíduo em vários aspectos da vida (pessoal, social e profissional), como no foco no trabalho, nos estudos e nas próprias relações amorosas. Muitos deixam de ter prazer a dois ou tem a necessidade de finalizar a transa com a prática masturbatória, prejudicando seu desenvolvimento natural da sexualidade.

Há diferenças entre vício em masturbação e gostar muito do ato?

O vício é marcado por alguns aspectos que diferenciam do somente gostar da prática da masturbação. A pessoa que desenvolve o vício fica obcecada em conseguir tempo e espaço para se masturbar, perdendo horas do dia na prática, atrapalhando o trabalho e outras atividades e relações. A pessoa que está viciada só consegue chegar ao orgasmo através da masturbação e não tem mais prazer no ato sexual com o parceiro/a. A obsessão se torna emergente e o comportamento se torna compulsivo. Quem gosta de se masturbar, faz disso um momento de prazer, solitário ou acompanhado, sem que se torne obsessivo com o pensamento de se masturbar ou compulsivo no ato da masturbação. O ato em si não é o problema. Ao contrário, a masturbação é uma prática importante para o autoconhecimento. A questão é quando se torna prioritária e ocupa a maior parte do seu dia, atrapalhando as outras esferas da vida.

Quais dicas para não cair no processo vicioso?

Entendendo que a masturbação, por si, é normal e desejável, deve-se também compreender em que contexto ela acontece. O uso indiscriminado de pornografia numa fase de formação da identidade sexual é prejudicial, pois o sexo na vida real nunca vai corresponder ao que acontece na ficção. E a pornografia é um grande gatilho para desenvolver vicio em masturbar-se. Portanto, ter um limite claro para isso é uma forma de se evitar o vício em masturbação. Esses dois vícios, em masturbação e em pornografia, andam de mãos dadas. Estabelecer relações saudáveis em que a sexualidade de ambos é explorada com afeto e cuidado também é um bom caminho, não só para evitar o vício como também desenvolver relacionamentos saudáveis, realizados e felizes.
Vânia Telles conclui que: "tudo o que é demais, atrapalha nosso desenvolvimento emocionalmente, cognitivamente e psicologicamente. Ter moderação é essencial".
Então é isso pessoal, apreciem com moderação. E, se precisar, consulte um especialista.

Sirleide Stinguel

Sirleide Stinguel é especialista em sexualidade humana, pós graduada em terapia sexual na saúde e educação. Graduanda em Psicologia.

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