Criar filhos talvez seja uma das tarefas mais difíceis da vida dos seres humanos. Não só pela responsabilidade, pela complexidade ou pelo custo financeiro, mas pelo tempo de dedicação.
Devido ao nosso cérebro desenvolvido, o recém-nascido é totalmente dependente do cuidado dos adultos à sua volta e permanece assim por muito tempo. E olha que não é só criar, no sentido de garantir a sobrevivência, mas de educar para ser um adulto respeitoso e civilizado.
Para efeito de comparação temporal, um potrinho nasce e sai andando na primeira hora de vida. Um filho de girafa também: cai de cerca de dois metros de altura no parto, fica em pé em torno de 30 minutos a 1 hora. Uma tartaruga marinha nasce e vai sozinha para o mar, sem qualquer cuidado parental.
Um filhote humano leva um ano para falar e andar, sete anos para aprender a ler e a escrever, cerca de 18 para prover suas próprias calorias necessárias para sobreviver e, em muitos casos mais de 20 para sair da casa dos pais e pagar suas despesas. Sem contar os que saem e voltam aos 40 depois de desilusões amorosas e profissionais.
Aliás, nem sei se você já se deu conta, mas a palavra "criança" deriva diretamente do verbo "criar". Criança é o processo de criação. Como bem sabemos, tem gente que atravessa a vida de zero a cem em estado de "criança", dependendo de alguém que tenha virado adulto.
Por tudo isso, pais e mães -principalmente mães que trabalham- buscam ajuda de parentes, amigas, vizinhas, conhecidas, instituições profissionais ou soluções amadoras que ofereçam uma rede de apoio para essa tarefa ininterrupta e tão longeva.
Essas soluções dependem muito da classe social de cada adulto. Quem tem menos recursos busca ajuda em forma de favor, permuta, redes públicas de creches e escolas, o que der. Quem tem dinheiro contrata tutores, enfermeiras ou babás.
Trabalhei para um empresário muito rico que tinha três filhos pequenos e uma babá. As crianças visitavam o local de trabalho do pai praticamente todos os dias, e assim acabei ficando amiga da babá. Além de ser muito simpática e articulada, ela me fazia lembrar de um tempo em que também trabalhei na mesma função, não de forma fixa, mas como freelancer.
Ela dizia que apesar de o patrão ser mal-humorado e muito mão de vaca, o que todos nós funcionários também constatamos mensalmente, o emprego compensava. Primeiro porque ela gostava das crianças. Segundo, porque a família sempre viajava para o exterior e, apesar de trabalhar ainda mais durante esses períodos, ela tinha a oportunidade de conhecer vários países.
Isso foi no começo dos anos 1990, quando ainda não existia internet, muito menos redes sociais e o sonho do trabalhador era ser CLT. As relações de trabalho, os caminhos para a fama e fortuna eram outros.
Corta para a vida digital que produz "famosos por serem famosos", cujo expoente é Kim Kardashian. Claro, hoje ela tem um império, é empresária e namora o piloto Lewis Hamilton, mas seu sucesso original tem tudo a ver com a era da Economia da Atenção, que produziu sua antiga patroa e mentora Paris Hilton, com quem Kim aprendeu a arte de se tornar uma celebridade.
Depois veio o reality, a fama, o casamento com Kanye West e os quatro filhos. Hoje, para cuidar das crianças, que têm entre 7 e 13 anos, Kim contrata cinco babás que trabalham no seguinte esquema: uma babá de plantão por vez, com as outras quatro trabalhando em escala de revezamento.
Aqui no Brasil, temos uma famosa equivalente a Kim em termos de interesse popular: Virginia Fonseca. Embora ela não tenha mais um programa oficial, Virginia transmite sua vida quase em tempo real como se fosse um reality. É nesse streaming constante que ela revela que tem sempre entre seis e sete babás.