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Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 09:00
De Colatina para um parque de diversões construído especialmente para uma superprodução da Netflix. Parece roteiro de filme, mas é a vida real de Yan Schwider, ator capixaba que saiu do interior do Espírito Santo para conquistar espaço no audiovisual internacional, e que viveu, nos bastidores de Wandinha, a experiência de integrar uma das séries mais populares do streaming mundial.>
Radicado na Irlanda, Yan constrói uma carreira que atravessa fronteiras, idiomas e formatos. Mas a base de tudo continua aqui no Espírito Santo, mais precisamente em Colatina, onde ele descobriu, ainda criança, que amava contar histórias.>
No interior, brincar na rua era parte da rotina, e da imaginação. “Uma das minhas brincadeiras preferidas enquanto criança com meus primos era imaginar que estávamos em um filme. Criávamos todo um roteiro e íamos improvisando".>
Na adolescência, vieram os questionamentos e a descoberta da própria identidade. “Comecei a me questionar mais, a entender melhor meus interesses, especialmente ligados à expressão e à comunicação".>
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O teatro escolar foi o primeiro palco real. Ali, entre textos, ensaios e apresentações, a brincadeira virou propósito. “Percebi que aquilo não era só algo que eu gostava de fazer, era algo que eu precisava fazer. Não havia mais volta.”. Desde então já participou de diversas peças de teatro, filmes e séries, com passagens por produções da Amazon Prime e Netflix.>
Antes de assumir de vez a atuação, Yan trilhou um caminho aparentemente distante das artes: cursou Engenharia Florestal na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no campus de Alegre. A escolha estava conectada a outra paixão: o meio ambiente.>
“Sempre fui apaixonado pela natureza. Cresci acompanhando de perto a importância do Rio Doce para o nosso estado, e o desastre ambiental de Mariana me impactou profundamente. Ver meus pais tendo que comprar galões de água potável para beber ainda hoje é algo triste”, afirma. >
A pauta ambiental segue presente em sua trajetória: já na Irlanda, participou como ator de uma campanha de reciclagem que lhe rendeu entrevista à BBC. “Isso reforça o quanto essa causa segue sendo significativa para mim".>
A mudança para a Irlanda começou como um projeto de intercâmbio cultural e aperfeiçoamento do inglês, mas se transformou em ponto de virada profissional. “Sempre tive o sonho de experienciar o mundo, porque acredito que isso amplia os horizontes". Inserido em um país que serve de cenário para grandes produções internacionais, ele passou a investir de forma mais estratégica na carreira.>
E foi nesse contexto que surgiu a oportunidade de participar de Wandinha. Mesmo atuando como figurante, Yan teve acesso ao funcionamento interno de uma superprodução. “Na cena da qual participei, a produção chegou a construir um parque de diversões de verdade, de tamanho colossal, apenas para as gravações”, conta.>
Ele destaca o rigor técnico e artístico do set. “Repetíamos tomadas diversas vezes para ajustar movimentos, enquadramentos e continuidade. Os figurinos, a maquiagem e os cenários tinham um nível de detalhe impressionante.” Nos bastidores, pôde observar de perto nomes como Luis Guzmán e Catherine Zeta-Jones. >
Outro marco na trajetória foi o filme D07, dirigido pelo brasileiro Marcelo Camargo, rodado na Irlanda e centrado nos desafios da imigração. “Esse convite chegou no momento certo e foi decisivo para que eu investisse de forma ainda mais séria na minha carreira como ator". A partir dali, buscou agente, ampliou sua rede e profissionalizou cada passo.>
O reconhecimento atravessou o Atlântico e chegou a Hollywood. Selecionado para o The Hollywood Initiative, um prestigiado programa de formação de talentos em Los Angeles, ele passou por um processo rigoroso com carta de referência, envio de materiais, self-tape e entrevista final. “Esse projeto foi literalmente um sonho se tornando realidade".>
Durante duas semanas, mergulhou na indústria cinematográfica ao lado de nomes como Jerry Silverhardt, primeiro agente de Tom Cruise, e a produtora Shonda Rhimes. “Essa experiência redefiniu meus parâmetros e abriu portas importantes para minha carreira.”>
Mesmo com a vida acontecendo fora do Brasil, Yan mantém o Espírito Santo como sua base. “O Espírito Santo representa minha base emocional, familiar e criativa.” Ele faz questão de divulgar as belezas do Estado sempre que pode. “O pôr do sol de Colatina, a qualidade de vida de Vitória, o Convento da Penha, as praias de Guarapari… somos de fato um tesouro escondido.”>
E há coisas que o mundo pode até ampliar, mas não apaga. “Não importa quanto tempo eu resida fora, festa sempre vai ser um ‘rockzinho’ e ‘pocar’ sempre será meu verbo para algo que estourou.”>
Entre parques cenográficos gigantes e lembranças de pracinhas no interior, Yan Schwider prova que é possível sair do Espírito Santo para o mundo, sem deixar de carregar o Estado em cada personagem que interpreta.>
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