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Acusações

Marcius Melhem se torna réu por violência psicológica e perseguição a mulheres

OUTRO LADO: Defesa do humorista diz que caso já foi arquivado em outro juízo; ação inclui jornalista Ricardo Feltrin, que vê ação como tentativa de censura
Agência FolhaPress

Publicado em 29 de Julho de 2025 às 08:33

Retrato do humorista Marcius Melhem, ex-diretor do núcleo de humor da Globo, em sua casa, na zona sul do Rio de Janeiro. Melhem fala sobre acusações e a briga judicial com a atriz Dani Calabresa
Retrato do humorista Marcius Melhem, ex-diretor do núcleo de humor da Globo, em sua casa, na zona sul do Rio de Janeiro.  Crédito: Eduardo Anizelli/Folhapress
O conflito entre Marcius Melhem, ex-diretor de humor da Globo, e um grupo de mulheres liderado por Dani Calabresa, ganhou um novo capítulo na última terça-feira (22). Melhem e o jornalista Ricardo Feltrin, que cobriu as acusações contra o humorista, se tornaram réus por violência psicológica e perseguição contra quatro mulheres que acusam a dupla de terem disseminado "comentários públicos constrangedores e desqualificadores das vítimas e testemunhas", o que teria desencadeado mensagens de ódio nas redes sociais contra elas.
Este processo é um desdobramento das defesas que Melhem fez, em suas redes sociais, ao ser acusado de assédio sexual por Dani Calabresa e um grupo de mulheres com quem trabalhou em 2020. O caso de Dani prescreveu, mas o de outras mulheres segue em aberto e, para julgá-lo, há uma audiência marcada para a primeira semana de agosto. Em paralelo, o compliance da Globo afirmou ao Ministério Público do Trabalho do Rio que o suposto assédio de Melhem não foi comprovado.
A juíza Juliana Benevides decidiu acatar a denúncia após o processo, que corre em sigilo, ser transferido da Justiça de São Paulo para a Justiça do Rio de Janeiro.
Outras quatro mulheres, que processaram a dupla pelos mesmos crimes, mas no Rio de Janeiro, não tiverem sucesso e o caso foi arquivado. Agora, o restante, que abriu o processo em São Paulo, teve sua denúncia transferida para a capital fluminense e obteve êxito.
Procurada, a defesa de Melhem diz que os fatos tratados na ação são os mesmos que já foram analisados e arquivados por outro juízo e diz estar confiante de que será comprovada a inocência do humorista.
Já Feltrin diz em nota que "a acusação de 'violência psicológica' contra um jornalista sempre configurou uma tentativa de censura por parte da advogada das acusadoras" e que todas as acusações foram combinadas entre as mulheres. "A decisão da juíza de rejeitar tudo isso, e decidir de forma monocrática a prosseguir com o processo, não me espanta nos tempos atuais", afirma ainda.
A decisão de terça-feira não entra no mérito da acusação, isto é, não julga se Melhem e Feltrin violentaram psicologicamente e perseguiram este grupo de mulheres, e sim decide analisar o caso. Agora, os réus devem se manifestar, por escrito, em até dez dias.
No caso aberto no Rio, em que Melhem teve êxito, a promotora Fabíola Lovis concluiu que as postagens feitas por ele -132 vídeos publicados nas redes sociais abordando o caso- seriam apenas para se defender. Ela destacou um laudo assinado por quatro peritas do MP que se debruçaram sobre os vídeos.
"A análise técnica apontou que o discurso das vítimas é sugestivo de 'combinação', apresentando, ainda, muitas contradições", afirmou a promotora. As atrizes entraram com recurso, mas a Justiça manteve arquivamento. Não cabe mais recurso.

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