De repente, o pet começa a apresentar vômito e diarreia, indicando sinais de desidratação, e antes de levá-lo ao médico-veterinário o tutor resolve apostar em uma antiga fórmula: o soro caseiro. Mas será que essa decisão é a mais acertada para restabelecer a saúde do cão ou gato?
A médica-veterinária Polyana Paixão, especializada em medicina felina, explica que o responsável pode oferecer água fresca em pequenas quantidades e com frequência, mas não deve confiar em soro caseiro como tratamento, porque ele não corrige adequadamente muitos desequilíbrios e ainda pode atrasar o atendimento correto.
“É importante destacar que se o pet vomita tudo que bebe, já não é um bom candidato à hidratação oral em casa. As diretrizes veterinárias reforçam que a via oral é apenas para casos leves e em pacientes que conseguem absorver e tolerar fluidos, se isso não acontece, precisa de atendimento médico-veterinário”, alerta.
Os principais sintomas da desidratação, explica, são vômitos, diarreia, febre, redução da ingestão de água, recusa alimentar prolongada, doenças renais, perdas urinárias aumentadas e quadros sistêmicos que venham a provocar fraqueza e pouca ingestão.
“Os sinais clínicos mais típicos de desidratação incluem gengivas secas, perda de elasticidade da pele, olhos mais fundos, letargia, fraqueza e diminuição do apetite. Em graus mais intensos podem aparecer pulso fraco, pior perfusão e sinais de colapso”.
A médica-veterinária ressalta que a reposição oral em casa apresenta uma enorme limitação, só serve mesmo em situação bem leve, com animal alerta, bebendo, sem vômitos persistentes e sem sinais relevantes de desidratação.
“Casos graves precisam de fluidoterapia calculada e monitorada, em geral ao longo de 12 a 24 horas, e as diretrizes destacam que a via endovenosa é a preferida quando a desidratação é severa ou a via oral não é tolerada”.
Ela ressalta, também, que o mecanismo de desidratação é o mesmo em cães a gatos: perda de água e eletrólitos maior que a reposição. Os sinais clínicos básicos também são semelhantes. A diferença prática é que gatos costumam mascarar sinais por mais tempo, podem ingerir pouca água sem que o responsável perceba, e a avaliação do “teste da pele” pode ser menos confiável em alguns felinos, especialmente idosos ou muito magros.
“Por isso, em gatos, observar gengiva, olhos, apetite, nível de atividade e histórico clínico costuma ser ainda mais importante. Em ambos, desidratação importante pode coexistir com hipovolemia e exigir abordagem profissional”, frisa.
Como médica-veterinária, Polyana Paixão não indica passar receita de soro caseiro para cães e gatos. “O motivo é simples: uma formulação doméstica pode ter proporção inadequada de sal e açúcar, não atender às necessidades do paciente e, em excesso, até piorar desequilíbrios. O excesso de sódio pode causar intoxicação por sal em animais, especialmente se o manejo hídrico estiver inadequado”.
Confira as indicações da médica-veterinária
Oferecer água fresca em pequenas quantidades e repetidamente, se o animal não estiver vomitando.
Procurar soluções de reidratação seguindo a prescrição do médico-veterinário.
Não forçar líquido na boca de animal prostrado, com náusea intensa ou risco de aspiração.
Buscar atendimento sem demora se houver qualquer sinal de piora.