Publicado em 20 de março de 2026 às 17:54
O Brasil é o terceiro maior consumidor de produtos de beleza e cuidados pessoais do mundo e o quarto com mais lançamentos nessa categoria, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC). >
Além disso, um levantamento da Worldpanel by Numerator sobre tendências para 2026 indica que o autocuidado se consolidou como uma prática do dia a dia, e que os brasileiros usam cerca de seis categorias de itens de higiene e beleza por semana. Esses produtos são comumente separados em “cosméticos” e “dermocosméticos”. Entender a diferença entre eles auxilia na decisão de compra e evita problemas na pele ou no couro cabeludo. >
Os dermocosméticos são produtos voltados para alguma questão específica, como redução da oleosidade, manchas e linhas de expressão. Os cosméticos são mais gerais e não precisam de uma comprovação científica. >
“O dermocosmético tem uma ação na pele ou no couro cabeludo utilizando ativos que tenham base científica. Estes ativos são comprovadamente eficazes para atuar em alguma questão. Enquanto o cosmético tem um uso mais superficial”, explica Claudete Carvalho, professora de Estética e Cosmética da Faculdade de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul (FADERGS). >
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Apesar dessa diferenciação, legalmente não existe uma classificação que enquadre produtos como dermocosméticos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) separa produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes em Grau 1 e Grau 2. “Grau 1 são cosméticos que têm um sensorial agradável e não precisam ter nenhuma comprovação de eficácia”, explica a professora. >
Os produtos de Grau 2, por outro lado, precisam de comprovação e se encaixam na categoria quando há algum componente que foque em ação específica, como proteção solar, redução de manchas ou ação anticaspa. Portanto, os produtos de Grau 2 são os que comumente são citados como dermocosméticos. A docente comenta que “o consumidor, quando ouve esse termo, já entende que é uma coisa mais específica e que normalmente deve ser recomendado por profissionais da estética”. >
É comum encontrar vídeos na internet de pessoas falando sobre suas rotinas de cuidados com a pele, mostrando ou mesmo indicando os itens que estão usando. A popularização dos produtos de beleza, somada ao aumento da tendência de autocuidado das pessoas, faz com que muitos consumidores procurem por dermocosméticos. Entretanto, ao seguir indicações que não são de um profissional da estética, a pessoa pode escolher o produto errado e causar problemas à saúde da pele ou à do couro cabeludo. >
Claudete Carvalho exemplifica com uma situação que ela observou no TikTok. Popularizou-se entre jovens de cerca de 14 anos uma rotina de skincare com produtos que não eram adequados para esta faixa etária. Alguns dos dermocosméticos recomendados continham retinoides, que estimulam a renovação celular e a produção de colágeno. Como consequência do uso inadequado para os tipos de pele, alguns destes adolescentes passaram a ter reações como ressecamento da pele. >
A professora explica que o uso de produtos que não são indicados para as condições da pele pode causar alergia, irritação, descamação ou mesmo acne. Dermocosméticos voltados ao couro cabeludo podem gerar sensibilidade, irritação ou descamação em excesso. Isso ocorre porque esses produtos são voltados para ações e para o tratamento de situações específicas. >
Com o aumento das opções de marcas no mercado, Claudete Carvalho observa que também há um maior entendimento do consumidor sobre cada item e possíveis benefícios de certos ativos, como vitamina C e ácido h i alurônico . Isso faz com que algumas pessoas procurem produtos por ativos. “É interessante o consumidor conhecer, mas ele não tem a expertise para fazer as combinações necessárias”, aponta. >
Em um tratamento para a acne, por exemplo, a pele passa por diferentes fases e precisa de adaptação conforme as necessidades individuais da pessoa. É por isso que a docente indica o acompanhamento de um profissional da estética, que pode ser um dermatologista, esteticista ou outro profissional com formação adequada. >
Dessa forma, o cronograma de cuidados será adaptado e individualizado, combinando cosméticos e dermocosméticos de acordo com as necessidades do paciente . Além disso, ela ressalta que, sem a indicação adequada, a pessoa corre o risco de gastar com um produto que não vai conseguir utilizar inteiro e que pode causar efeitos contrários. >
Por Carol Passos >
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