Com a chegada do período chuvoso, a atenção com os ambientes externos e internos da casa precisa ser redobrada. Vasos, canteiros e pequenos espaços do quintal passam a exigir mais cuidados, especialmente com o aumento da umidade e a presença de mosquitos. Nesse cenário, algumas plantas aromáticas despertam o interesse por suas propriedades e pelo possível papel que podem desempenhar no manejo desses insetos.
Daniel Paixão Beretta, coordenador do curso de Agronomia da Faculdade Anhanguera, explica que a citronela, o alecrim e o manjericão estão entre as espécies que produzem compostos com efeito repelente ou inseticida reconhecido em laboratório. “Esses compostos fazem dessas plantas boas companhias para deixar o jardim e a horta mais equilibrados. Bem cuidadas e aliadas a outras medidas, elas ajudam no manejo dos insetos do dia a dia”, diz.
Mas, de acordo com o especialista, é importante ter atenção, pois a presença da planta no ambiente, por si só, não afasta nem controla pernilongo ou mosquito da dengue. O efeito estudado está quase sempre no óleo essencial extraído, em concentração muito maior do que a planta consegue liberar no ar.
A seguir, conheça as plantas que podem ser aliadas no dia a dia, o papel de seus compostos e os cuidados de cultivo!
1. Citronela (Cymbopogon winterianus)
O óleo essencial da citronela é rico em citronelal, composto associado à ação repelente. A planta intacta, no entanto, libera no ar uma quantidade bem menor do que a usada nos experimentos; por isso, não protege quem está por perto. O que funciona é o óleo extraído, na forma de produto formulado e registrado, com proteção de poucas horas e necessidade de reaplicação.
Como cuidar: a espécie gosta de sol e de solo bem drenado, e costuma ser confundida com o capim-santo ( Cymbopogon citratus ), parente próximo de aroma parecido.
2. Manjericão (Ocimum basilicum)
Linalol e eugenol estão entre os compostos aromáticos já estudados na planta. No canteiro, o que faz é diversificar o ambiente e atrair polinizadores, além dos inimigos naturais das pragas. Sobre a relação da planta e seu potencial para afastar insetos, as pesquisas apontam algum efeito utilizando óleo essencial e extrato.
Como cuidar: fácil de cultivar em vasos, pede boa luz e regas sem encharcamento.
3. Alecrim (Salvia rosmarinus)
O óleo do alecrim concentra 1,8-cineol e cânfora, substâncias ligadas ao potencial repelente. Embora a planta viva não funcione como barreira contra mosquitos, o potencial do alecrim se destaca nos testes feitos com o óleo extraído, que reforçam o valor de seus compostos.
Como cuidar: prefere sol pleno, solo drenado e regas espaçadas.
4. Hortelã (Mentha spp.)
O óleo essencial da hortelã tem mentol e mentona, compostos citados em práticas agroecológicas de manejo de insetos. Na borda da horta , o ganho vem da diversificação do cultivo.
Como cuidar: como cresce e se espalha rápido, convém mantê-la em vaso próprio, com solo úmido e sem água parada.
5. Cravo-de-defunto (Tagetes spp.)
Entre as plantas desta lista, o cravo-de-defunto, também chamado de tagete, é o único que age vivo, mas apenas no solo. As raízes liberam compostos que reduzem a população de nematoides, efeito documentado em algumas espécies do gênero, sobretudo em alta densidade de plantio. Em bordaduras e entre canteiros, ajuda a diversificar o jardim.
Como cuidar: gosta de sol pleno, solo bem drenado e regas moderadas, sem encharcar.
6. Tomilho e orégano (Thymus vulgaris e Origanum vulgare)
As duas ervas concentram timol e carvacrol, compostos lembrados em práticas agroecológicas. A eficácia está no óleo essencial extraído, que apresentou ação repelente e inseticida em estudos de laboratório.
Como cuidar: o tomilho e o orégano gostam de luz e de solo drenado, e apodrecem com excesso de água.
Cuidados com a casa e o jardim durante as chuvas
Para cuidar da casa e do jardim durante as chuvas, comece pela rotina semanal: esvazie e limpe vasos, pratinhos e qualquer recipiente que junte água. Na manutenção da casa, mantenha reservatórios cobertos, verifique calhas e ralos com frequência e utilize telas em portas e janelas para ajudar a barrar mosquitos. Observe também as bromélias, que acumulam água entre as folhas. Nos canteiros, evite o excesso de água, que prejudica as raízes e favorece doenças nas plantas.
“Um jardim diversificado e bem-cuidado colabora com o equilíbrio ambiental e com o manejo de algumas pragas, mas no controle de mosquitos nenhuma planta substitui a eliminação dos criadouros e as medidas de proteção recomendadas pelos órgãos de saúde”, conclui o professor.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que velas, incensos e odorizantes à base de citronela, andiroba ou óleo de cravo não têm eficácia comprovada e não são aprovados pela agência. Para a pele, valem os repelentes registrados com DEET, icaridina ou IR3535.
Por Luana Figueiredo