É estranho que se tenha que elogiar a conduta honesta de um servidor público, mas em meio ao escândalo das adulterações nas carretas, é digna de nota a atuação dos funcionários do Detran do Espírito Santo. Embora o esquema de fraudes envolvesse oficinas e empresários do Estado, a ação da quadrilha colidiu com a probidade do órgão de trânsito capixaba.
Impossibilitados de conseguir falsificar documentos de veículos no Espírito Santo, os infratores tiveram que recorrer a Detran da Bahia e de Minas Gerais para dar ar de legalidade aos veículos clandestinos.
A afirmação é do promotor de Justiça Bruno Simões Noya de Oliveira, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual, órgão que coordenou a operação que desbaratou a quadrilha, ao lado da Polícia Rodoviária Federal.
Se não é possível afirmar, é razoável ao menos supor que a ação criminosa que pode ter causado mais de dois mil acidentes teria tido impacto ainda mais dramático se funcionários do Detran do Espírito Santo tivessem facilitado a burla. A retidão do órgão é louvável. E deveria ser praxe nos serviços públicos. Que o Brasil supere essa crise ética, para que não surjam mais sentimentos de alívio e alegria quando funcionários cumprem estritamente sua função.