O governador Paulo Hartung declarou, na tarde desta sexta-feira (23), que não é hora de fazer oposição ao governo de Jair Bolsonaro (PSL) - que ainda nem tomou posse -, mas de cada líder político fazer o que for possível para ajudar a "destravar o país".
O governador foi além e afirmou que, se o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, apresentar uma boa proposta de reforma Previdenciária (considerada urgente por Hartung), ele estará disposto a emprestar o seu apoio ao projeto na mesma hora, mesmo não fazendo parte do universo de aliados de Bolsonaro.
As declarações foram dadas por Hartung em entrevista e palestra durante o 13º Encontro de Lideranças promovido pela Rede Gazeta, em Pedra Azul.
"Qual é o momento agora? É de formar oposição? Não é de formar oposição. Se a gente formar oposição, essa oposição não é a ninguém. Vai ser ao próprio país. Nós temos é que ajudar a destravar o país. Temos mais de 12 milhões de irmãos e irmãs nossos desempregados. Se destravar o país, o país volta a crescer, gerar emprego, melhorar a renda, chegando à casa de dona Maria, seu José. Nós precisamos fazer isso. Eu vou estar à disposição para ajudar."
Sobre a reforma da Previdência, Hartung afirmou que, se o projeto de Paulo Guedes for bom, ele está disposto até a publicar artigos defendendo a aprovação.
"Eu vou dizer aqui claramente: se o Paulo Guedes colocar uma proposta de reforma da Previdência e for uma boa proposta, ele não precisa me pedir apoio. Eu vou a público, escrever artigos, defender em entrevistas, fazer palestras… ajudar. Eu acho que é esse que é o nosso papel neste momento: ajudar o país a pegar rumo, acertar a agenda do país. Nós precisamos virar o jogo e dar uma contribuição, e não pensar em negócio de partidos nem em próximas eleições. Acho que nós temos que pensar é como a gente pode dar uma contribuição para esse governo que vai tomar posse aí acertar o rumo no sentido de uma agenda correta para consertar as contas públicas do país e modernizar o nosso país para torná-lo competitivo neste mundo integrado em que nós estamos vivendo", disse Hartung.
Durante a campanha eleitoral, Hartung não recomendou voto em Bolsonaro. Em evento promovido pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), diante de uma plateia de empresários, o governador chegou a desaconselhar expressamente voto no então candidato à Presidência pelo PSL. Nesta sexta-feira, voltando a falar para uma plateia formada principalmente por empresários, Hartung reafirmou que não votou em Bolsonaro. Mesmo assim, ressaltou que não é hora de oposição por oposição e que está disposto a ajudar a apoiar uma agenda correta para o Brasil.
FUTURO POLÍTICO
Em relação ao próprio futuro político, questionado se não pretende mesmo disputar novos mandatos eletivos, Hartung voltou a dizer que não pretende concorrer novamente a eleições estaduais. Frisou que está terminando o seu oitavo mandato, "com chave de ouro", e que é a hora certa de parar (ele nunca perdeu uma eleição, portanto "se aposenta" invicto das disputas eleitorais no Espírito Santo).
"Primeiro eu tenho que falar sobre o Espírito Santo. A gente encerra um ciclo no Espírito Santo com este oitavo mandato. São oito eleições. Oito vezes os capixabas me deram votações consagradoras. Então esse ciclo nós estamos encerrando e, felizmente, com chave de ouro. Acho que tem que parar numa hora em que a gente está fazendo as coisas e conseguindo colher resultados."
Questionado se ele pode considerar uma candidatura em nível federal, o governador afirmou que não é o momento de se pensar em novas eleições.
"Em relação à política nacional, eu vou estar sempre disposto a participar, debatendo, contribuindo, fazendo palestras… Discutir 2022 e dois mil e não sei quanto não é o que nós devemos fazer neste momento. Outro dia falaram que eu estou organizando um partido. Eu tive que vir a público desmentir isso, porque não é hora de discutir essas coisas."
De todo modo, Hartung ressaltou que, mesmo sem disputar mandatos, jamais deixará de fazer "política com P".
"Política eu não vou largar nunca. Vou morrer militando na política. Política como ferramenta civilizatória. Política que é um instrumento que muitas vezes pega um conflito paralisante e consegue transformá-lo numa ação mudancista, transformadora, para melhorar a vida das pessoas. Política com P maiúsculo eu vou continuar fazendo a vida inteira."