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Jace Theodoro

Grande Vitória sobrevive às mazelas com os magos da cena musical

A temporada dos sons, a despeito dos ouvidos moucos dos surdos à arte, vence a batalha. Até porque a música não briga, ela separa pra juntar depois

Publicado em 26 de Abril de 2018 às 18:19

Públicado em 

26 abr 2018 às 18:19
Jace Theodoro

Colunista

Jace Theodoro Jace Theodoro
Música para todos Crédito: Amarildo

A música, esta senhora que mistura bons e maus modos em suas melodias, tem feito estrago por estas bandas capixabas. Bem-vindo o barulho desse estrago quando as artes padecem de espaço, mecenas (que ressuscitem os Médicis de Florença!) e olhares menos enviesados sobre os artistas, sobretudo de gente que considera arte coisa de vagabundo sem profissão.

Já houve articulista que desfiou seu rosário de pragas sobre nós, ó coitado! Um pouco menos de ego doentio e mais sabedoria e sensibilidade o faria mudar de ideia. Ou não. Deixemos as contendas com inutilidades pra escanteio e voltemos os ouvidos pros “estragos” musicais das últimas semanas.

Este é apenas um recorte da cena dos sons da terra onde estive em palco e plateia nesses dias

A Grande Vitória sobrevive às mazelas (enchentes, violência e que tais) com unguentos trazidos pelos magos da cena musical. Dois festivais de jazz e blues, noites de rock’n’roll, nossa Orquestra Sinfônica, portentosa nos concertos clássicos, também é capaz de dividir o palco com bandas de ticumbi e desfiar o repertório bendito de Sérgio Sampaio.

Apresentações operísticas soltam seus dós de peito do altar das igrejas aos teatros da capital enquanto sambistas jovens e veteranos ocupam todas as semanas praças das cidades. Há uma profusão de desejos musicais no ar que convivem na harmonia merecida por artistas que lutam por violões, pandeiros e pianos ao sol, sob o luar, debaixo de bênçãos chuvosas.

A música sempre nos alimentou aqui e ali, mas algo indica nesses dias o seu despertar de uma só vez em todas as vertentes. Uma sonzera de batuques, melodias e harmonias entrelaçadas como se houvesse um recado entre os lapsos das frases musicais. “Estamos vivos, temos corpo pra todos os ritmos a que formos convocados pelo salão de danças”.

Este é apenas um recorte da cena dos sons da terra onde estive em palco e plateia nesses dias. Há muitos outros. A galera enérgica do hip hop, o movimento do reggae e das casas de shows, do instrumental ao pop, todos estão cumprindo firmemente suas agendas.

A temporada dos sons, a despeito dos ouvidos moucos dos surdos à arte, vence a batalha. Até porque a música não briga, ela separa pra juntar depois.

*O autor é jornalista e cronista

 

Jace Theodoro

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