Sair
Assine
Entrar

  • Início
  • Governos têm que gastar menos e planejar mais o uso dos royalties
Beatriz Seixas

Governos têm que gastar menos e planejar mais o uso dos royalties

Recursos ainda não são empregados pensando nas futuras gerações

Publicado em 15 de Setembro de 2018 às 20:56

Públicado em 

15 set 2018 às 20:56
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Enquanto o Espírito Santo mantém seu protagonismo na indústria de petróleo e gás, sendo um dos três maiores Estados produtores do país e, portanto, um dos que mais recebem cifras generosas em compensações como royalties e participações especiais, gestores públicos não têm tido outra preocupação que não seja gastar esse dinheiro.
Ainda mais diante do cenário de penúria econômica vivida em todo o país, qualquer recurso que entra nos cofres públicos, por lá pouco tempo permanece. É aí que mora o problema. Ao invés desse dinheiro estar sendo poupado ou investido pensando nas gerações futuras, ele está servindo para cobrir os orçamentos deficitários, especialmente os das prefeituras.
Quem dera que esse comportamento estivesse ocorrendo só agora, quando o caixa dos municípios realmente está no vermelho. Infelizmente, o gasto sem uma visão de longo prazo acontece não é de hoje. Mesmo em tempos de bonança, raras foram as iniciativas adotadas por cidades beneficiadas com esses recursos capazes de multiplicar as riquezas geradas a partir da exploração do ouro negro.
Não é por falta de exemplos, bons e ruins, que gestores pecam na administração do dinheiro. Perto de nós está Macaé, no Rio de Janeiro, para mostrar tudo o que não deve ser feito com os royalties. Um tanto quanto mais distante está a Noruega, que decidiu na década de 90, por meio da criação de um fundo soberano, que a indústria petrolífera e as cifras geradas por ela seriam responsáveis por garantir o desenvolvimento do país e a aposentadoria das próximas gerações. Difícil escolher em quem devemos nos espelhar? Nem um pouco! Pena que quem cuida desse dinheiro tem ignorado as referências de sucesso.
Acontece que o tempo está passando, as reservas fósseis são finitas e a cada dia elas estão perdendo lugar para as fontes de energia renováveis. No Espírito Santo mesmo, a curva de produção se mantém de estável para em queda e, no ranking dos maiores produtores nacionais, São Paulo já nos tirou a segunda colocação.
Não há mal algum em ficar em terceiro lugar, mas a perda de posição serve para alertar que os cerca de R$ 2,7 bilhões que entram anualmente nos caixas do Estado e das prefeituras capixabas vão minguar até não existirem mais. E, quando esse momento chegar, não vai adiantar ficar lamentando os passivos deixados pelo setor.
Perdemos oportunidades? Sim. Mas ainda dá tempo de aproveitarmos de forma estratégica os milhões de barris que estão no fundo do mar e que podem servir de alavanca para promover o bem-estar social e o desenvolvimento sustentável. Agora, em época de eleição e de trocas de cadeiras nas esferas executivas e legislativas, pode ser uma boa hora para novas diretrizes serem traçadas nesse segmento.
Uma pena que essa discussão não esteja presente de forma sólida desde a campanha. Os candidatos a governador, por exemplo, pouca atenção deram, em seus programas de governo, à distribuição dos royalties e a sua contribuição à sociedade. Aliás, dos seis, metade ignora o tema: Aridelmo Teixeira (PTB), Carlos Manato (PSL) e Rose de Freitas (Podemos). Dois, André Moreira (PSOL) e Jackeline Rocha (PT), são superficiais ao abordar o assunto e somente Renato Casagrande (PSB) propõe medidas mais efetivas, como criar um fundo para as futuras gerações. Está nas mãos dos gestores transformar o quadro atual, enquanto eles não o fazem, está nas nossas cobrar e votar.
Gráfico mostra a evolução da produção de petróleo e gás no ES e em SP Crédito: Genildo Ronchi
NÃO É BOBO, NÃO
Empresário do Espírito Santo conta que além dos planos estratégicos que sua empresa faz com regularidade, ele não abre mão de outra tática na hora de tomar decisões de investimentos: a leitura de diários oficiais Brasil afora. “Essa é uma fonte riquíssima de informação. Por isso, é leitura obrigatória na equipe.” Ele diz que, pelo diário, consegue saber quais regiões são as apostas dos entes públicos e o que está sendo feito para atrair negócios.
FORA DO AR
O radar do Aeroporto de Vitória ficou do dia 7 ao dia 13 fora do ar. Resultado: profissionais que utilizam a ferramenta para controle das aeronaves no espaço aéreo capixaba precisaram realizar as separações “às cegas”, sem auxílio visual. Embora essa ação sem o radar seja prevista, é menos segura. Assim, foi necessário adotar um controle de fluxo, aumentando a distância entre os aviões, o que causou atraso em alguns voos. Ainda bem que os controladores fizeram um bom trabalho!
A SEMANA PROMETE
Será que nesta segunda-feira (17) o mercado vai amanhecer alvoroçado depois da divulgação, na última sexta (14), da pesquisa eleitoral Datafolha, que coloca o candidato petista Fernando Haddad mais próximo do 2º turno?
TRANSIÇÃO
Considerando que a história da ferrovia ainda deve render (ou entornar) um bom caldo, o governador Paulo Hartung disse que, nesta reta final do seu mandato, pretende sentar com quem for eleito para conversar sobre os compromissos que estão sendo firmados com a Vale e com o governo federal para a construção de um ramal de Vitória ao Rio. “Eu tô fazendo a minha parte. O que preciso agora é passar o bastão, com tudo organizado, para o próximo gestor seguir em frente com essa ação.”
CALADÃO DOS CANDIDATOS
Como o próximo governador vai lidar com esse tema, entretanto, ainda é um mistério. Afinal, até agora os candidatos estão fazendo cara de paisagem para a questão.
MÃO NA MASSA
A Buaiz Alimentos inaugura nesta segunda-feira (17), em Vila Velha, a fábrica de mistura para bolos e o Centro de Empacotamento e Logística da empresa. Foram investidos R$ 60 milhões no projeto, que permitirá a ampliação da capacidade de moagem de farinha de trigo em até 35%.
RETROCESSO
Os valores investidos nos portos brasileiros é o menor em 14 anos, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em 2017, foram investidos R$ 175 milhões, contra os R$ 660 milhões previstos. Para o gerente executivo do Sindicato dos Operadores Portuários, Marcos Lopes, essa redução enfraquece a competitividade do Brasil frente a outros países. “Quando um investidor estrangeiro analisa o setor de logística do Brasil, fica mais longe de trazer seu negócio para cá”, lamenta.
NA LANTERNA
O Espírito Santo ficou muito mal na fita em um quesito do Ranking de Competitividade dos Estados: o de potencial de mercado. O estudo, do Centro de Liderança Pública (CLP), nos coloca lá na 24º posição. É de envergonhar!
Gráfico sobre ranking de competitividade dos Estados Crédito: Genildo Ronchi

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Vitória x Audax São Mateus, pela Copa Espírito Santo 2026
Vitória derrota Audax São Mateus e lidera a Copa Espírito Santo
Imagem de destaque
Veja como consultar ofertas do Desenrola nos canais de atendimento dos bancos
Corrida de Rua: Rio Branco-ES anuncia primeira prova oficial com 5km e 10km
"Corrida do Rio Branco", com 5km e 10km, acontece no segundo semestre, nas ruas de Vitória

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados