O governo Temer é um cadáver insepulto que vaga no purgatório até dezembro. Após não entregar a recuperação econômica prometida, povoar os escândalos e perder as maiores reformas, o governo ainda conseguiu promover uma série de erros sem precedentes no trato com os caminhoneiros. Até aqui, sem exceção, tudo foi um desastre!
De início, o executivo padeceu com a ineficiência da ABIN, que não mediu adequadamente a força do movimento grevista. Em seguida, foram precisos três dias para o acordar para o problema. A partir daí, amoleceu prometendo ceder às reivindicações enquanto aceitava passivamente as centenas de bloqueios de estradas pelo país.
Um governo movido a blefes não poderia promover outra coisa senão o caos, a instabilidade econômica e a incerteza no mercado
O diálogo mole foi, então, abruptamente interrompido com a convocação das Forças Armadas, ignorando a possibilidade de ação conjunta com os Estados e as polícias locais. No dia 24, oficializou-se o circo: ministros surgiram ao vivo anunciando o fim da greve, sem saber que negociavam com sujeitos estranhos aos grevistas, que não representavam a maioria e que, curiosamente, apresentaram uma pauta recheada de reivindicações que interessavam aos empresários.
Apavorado, o governo publicou um Diário Oficial atendendo a todas as pautas grevistas sem que fosse demonstrada nenhuma contrapartida do movimento. Ou seja: negociou sem moeda de troca e assistiu à continuação dos protestos sem munição para agir e delirou ao pensar num tabelamento único de frete para todo o país.
Sobrou pra Petrobras. Primeiro a estatal negou que cederia a pressões políticas. Depois, divulgou queda de 10% no preço do diesel por 15 dias, depois 30 e, agora, 60 dias. A intocável política de preços diários rachou e o presidente Pedro Parente renunciou dizendo que sua permanência “não era mais positiva”. Resumo da ópera: em dez dias, a Petrobras perdeu R$ 126 bilhões em valor de mercado.
Um governo movido a blefes não poderia promover outra coisa senão o caos, a instabilidade econômica e a incerteza no mercado. Enquanto isso, o dólar já chega a R$ 4 e a Bovespa registra seu pior resultado no ano. Em meio a tanta desordem, você ainda tem dúvidas de quem pagará toda essa conta?
*O autor é graduado em História e Filosofia, e pós-graduado em Sociologia