O governo federal concordou autorizar que a Vale amplie a Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM) da Capital até Ubu, Anchieta. A informação é do governador Paulo Hartung. Segundo ele, o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha foi consultado pelo Estado e também pelo diretor de Relações Institucionais da mineradora, Luiz Eduardo Osorio, sobre a viabilidade do acordo que as partes vêm formulando para efetivar o investimento na ferrovia.
“O governo federal topa dar o ramal para a Vale. Existia uma dúvida sobre se, mesmo com o processo de renovação antecipada em andamento, a empresa poderia fazer o requerimento desse ramal. A Vale consultou a União e a resposta é que pode. Então, a Vale vai fazer”, adiantou o governador na tarde desta segunda-feira (06), durante evento de lançamento do Anuário Rede Gazeta 2018, em Vitória.
Hartung lembrou que os recursos para a construção do trecho até Ubu virão dos créditos de ICMS que a Vale tem com o Estado, no valor de aproximadamente R$ 1,8 bilhão, considerando créditos acumulados e créditos a serem obtidos nos próximos dez anos.
Ainda de acordo com ele, caso o montante para construir a nova malha férrea seja inferior aos R$ 1,8 bi, a diferença será encaminhada para um fundo de infraestrutura do Estado para que esse dinheiro possa ser utilizado na construção do outro trecho da ferrovia, que faria a ligação de Anchieta até Presidente Kennedy.
EMENDA
Outra alternativa que vem sendo levantada pelo governo do Estado para viabilizar que a parte capixaba da EF 118 (que prevê ligar Vitória a Presidente Kennedy) saia do papel é tentar outras fontes de recursos para a construção do trecho que não ficará sob a responsabilidade da Vale, ou seja, de Anchieta a Kennedy. Paulo Hartung explicou que está trabalhando junto à bancada federal para fazer uma emenda ao Fundo Nacional Ferroviário, anunciado pelo presidente Michel Temer como uma forma de compensar o Espírito Santo e o Pará, ambos prejudicados pela realocação dos investimentos da Vale na estrada de ferro chamada Fico, no Centro-Oeste.
“Queremos que parte do recurso da licitação da Fico seja investido aqui no nosso segundo trecho”, ponderou o governador ao citar que tem dúvidas sobre a alternativa que vem sendo defendida pelo governo federal de que a estrada de ferro seria construída com recursos da renovação antecipada da Ferrovia Centro Atlântica (FCA). “Esse dinheiro da FCA é o que eu mais tenho medo de vazar pelos dedos. Por isso, estou procurando outras saídas.”
Procurada, a Vale informou apenas que criou um grupo de trabalho para estudar a viabilidade da construção de um trecho ferroviário entre Vitória e Anchieta, bem como a viabilidade da incorporação do referido trecho à Estrada de Ferro Vitória-Minas.
A coluna também entrou em contato com o governo federal, mas até o momento não obteve resposta.