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Beatriz Seixas

Governo do ES recorre na Justiça e negocia R$ 1,4 bi com a Vale

Recursos que poderiam ser usados para construir ferrovia são fruto de créditos de ICMS da mineradora

Publicado em 27 de Julho de 2018 às 17:24

Públicado em 

27 jul 2018 às 17:24
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Ferrovia Vitória-Minas Crédito: Agência Vale/Divulgação
Diante da negativa da Justiça de conceder decisão liminar (provisória) favorável ao governo do Estado no caso da ferrovia, o governador Paulo Hartung afirmou que vai recorrer ao Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro.
Paralelamente à continuidade da “briga” na Justiça, Hartung contou que está avaliando outras alternativas junto à Vale para que o investimento na construção da malha férrea ligando Vitória a Presidente Kennedy, no Sul do Estado, saia do papel.
“A Vale nos procurou e ofereceu participar (da construção da EF-118) com quase R$ 1 bilhão em créditos que a empresa tem de ICMS com o Estado da Lei kandir. Além disso, nos ofereceu o que vai ser produzido em crédito nos próximos cinco anos, o que daria um total de aproximadamente R$ 1,4 bilhão. Mas o valor exato ainda está sendo levantado e trabalhado pela nossa equipe”, ponderou.
O governador classificou a solução apresentada pela Vale como engenhosa e reforçou que o fato da mineradora estar aberta à discussão é um passo importante e positivo para resolver o impasse relacionado à renovação antecipada da Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM).
Na próxima semana, representantes do governo do Estado e da Vale vão se reunir para afinar a discussão que, por enquanto, ainda tem algumas lacunas abertas, como de onde virá o restante do dinheiro para bancar a EF-118 e quem será o responsável pela construção da ferrovia.
Sobre o restante do valor para a realização da estrada de ferro até Presidente Kennedy, que é orçada em R$ 3 bilhões, Hartung lembra que existe a promessa dos recursos da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), em torno de R$ 1 bilhão, que seriam somados ao que a Vale está propondo com a utilização os créditos.
“Mas isso não é suficiente. Estamos calculando e levantando tudo. Por isso, precisamos continuar o diálogo. Mesmo assim, acredito que valeu a pena fazer a ação civil pública. Se a gente não mostrasse disposição para a luta, não teria diálogo”, justificou Hartung, ao voltar a lembrar dos passivos ambientais e sociais que a Vale deixou para o Estado. “Agora é o momento de a empresa deixar um legado com essa infraestrutura.”
 

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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