A estagnação do projeto de construção de armazéns de grãos em Viana é um exemplo límpido de como o desalinhamento entre as esferas federal e estadual pode produzir prejuízos aos cofres públicos, o que seria evitado com uma gestão mais integrada. Ou, no mínimo, com mais comunicação. Mais uma vez, brinca-se com fogo. Lamentavelmente, exemplos não faltam do desprezo pelo patrimônio coletivo, com o dinheiro sendo esbanjado como se a população não tivesse prioridades.
Reportagem de domingo de A Gazeta mostrou a total desorganização da parceria entre o Estado e a União firmada em 2013. Enquanto o governo estadual ficou responsável pela desapropriação das áreas de mais de 100 mil metros quadrados localizadas às margens da BR 262, a obra do complexo de grãos estaria a cargo do Ministério da Agricultura, prevista no Plano Nacional de Armazenagem (PNA), que acabou suspenso. Para ser retomada, deverá aguardar o próximo Plano Plurianual (PPA). Resultado: enquanto em Brasília não se sabe se o projeto sairá do papel, por aqui R$ 9,1 milhões já foram gastos desde então com a compra de terrenos, que oficialmente continua sendo realizada. É ou não é um completo desvario?
Sobre o gasto milionário, a assessoria de imprensa do ministério foi direta: “Este assunto é com o governo do Espírito Santo”. Instala-se assim o jogo de empurra, tão comum em um país em que as autoridades públicas não assumem suas responsabilidades. De grão em grão, é assim que o rombo nos cofres públicos não para de crescer.
Além disso, a obra liberaria os galpões do antigo IBC, em Jardim da Penha, para um uso revitalizado, já que hoje o local é subaproveitado pela Companhia Nacional de Abastecimento, como também mostrou este jornal na semana passada. Como de costume, a gestão pública atrapalhada é o que mais contribui para tanta irracionalidade.