A economia do Espírito Santo tem interesse na nova dragagem que começa a ser desenhada para a Baía de Vitória, visando a ampliar a capacidade operacional dos portos ali instalados. A previsão de retirada de mais de 60 mil metros cúbicos de pedras, e de cerca de 40 mil metros cúbicos de sedimentos, demonstra que há desperdício de potencial da área para recebimento de embarcações – o que implica prejuízo para o Estado.
O aprofundamento do canal, homologado há menos de um mês pela Marinha, após obras que se arrastaram por quase duas décadas consumindo um mar de dinheiro público, cumpre apenas uma etapa do que é necessário ser feito. Atualmente, ocorrem simulações de manobras com a perspectiva de navios com até 244 metros, ou 70 mil toneladas, mais do que o dobro do acanhado limite anterior de 30 mil toneladas, que afastou do Estado muitas linhas marítimas com embarcações de grande porte.
Qual o efeito da nova dragagem, anunciada pela Codesa, para a logística no Estado? Pelo que está sendo dito, a bacia de evolução chegaria a 14 metros de calado, suportando embarcações de até 280 metros. Se não demorar tanto para ser concluída, como a anterior, facilitará a concessão de terminais à iniciativa privada, em busca de maximização de eficiência. Inclusive mirando a cabotagem (percurso costeiro, entre portos do país), o que parece ser uma tendência do canal de acesso à Capital.
Mas o futuro portuário do Espírito Santo não pode se confinar à Baía de Vitória. São de fundamental importância para o crescimento estadual as estruturas em fase de implementação. Um é o da Petrocity, em São Mateus; outro o Porto da Imetame, em Aracruz; e ainda o Porto Central, em Presidente Kennedy. Este não pode prescindir de interatividade com a estrada de ferro prevista para o Sul do Estado.