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Com trajetórias opostas, Real Madrid e Liverpool decidem a Liga dos Campeões

Reds buscam conquistar o torneio pela sétime vez, enquanto o time merengue luta pela 14ª taça da competição

Tempo de leitura: 5min
Publicado em 28/05/2022 às 02h00
Benzema e Mané são dois dos craques que estarão em campo na grande final da Liga dos Campeões
Benzema e Mané são dois dos craques que estarão em campo na grande final da Liga dos Campeões. Crédito: Reuters/Folhapress

Em 9 de maio de 2010, o Liverpool empatou por 0 a 0 com o já rebaixado Hull, pelo Campeonato Inglês. O clima na torcida era bélico. Dois dias antes, as contas do clube referentes àquela temporada tinham sido publicadas. O prejuízo era de 54,9 milhões de libras (R$ 332,8 milhões, valor corrigido), incluído o pagamento de juros de 40,1 milhões de libras (R$ 243,1 milhões, atualizado). A dívida total era de 472,5 milhões de libras (R$ 2,86 bilhões, pela cotação atual).

A equipe não conquistava o título inglês desde 1990. No começo da Premier League 2010/11, chegou a ficar na zona de rebaixamento após uma derrota para o Blackpool. Os donos eram os norte-americanos Tom Hicks e George Gillett. Hicks era metade da Hicks-Muse, empresa que assumiu o futebol do Corinthians no final do século passado. Uma parceria que acabou mal.

Não era difícil, na época, acreditar que o Real Madrid tinha um modelo de gestão ideal. Sem dono, pertencia aos sócios e empilhava troféus. Já era então o maior campeão da história da Champions League. Voltaria a conquistar o título espanhol em 2012.

Uma década depois disso, os dois times se enfrentam neste sábado (28), em Paris, pela decisão da Liga dos Campeões. Tudo está bem diferente fora de campo. A decisão será transmitida às 16 horas pelo SBT, TNT e HBO Max.

O Liverpool trocou de dono, encontrou um treinador que mudou a história da agremiação e montou uma das maiores equipes da história do futebol britânico.

Enrolado na reforma do estádio Santiago Bernabéu, o Real Madrid acumula dívida de 789 milhões de libras (R$ 4,8 bilhões corrigidos), tornou-se um dos artífices do fracassado projeto da Superliga (em que o Liverpool também estava envolvido desde o primeiro minuto) e não teve sucesso no seu maior plano de mercado dos últimos anos: a contratação do francês Kylian Mbappé. O atacante decidiu renovar com o Paris Saint-Germain.

Com a bola rolando, o Real Madrid conquistou a liga nacional com folgas e chegou à final europeia com reviravoltas históricas, como a que protagonizou nas oitavas de final, diante do PSG, e nas semifinais, contra o Manchester City –jogo em que estava quase eliminado até os acréscimos do segundo tempo e conseguiu a classificação.

Um caminho bem mais espinhoso que o do Liverpool, que passou por Internazionale, Benfica e Villarreal. Teve alguns sustos, mas sem comparações com os dos espanhóis. Se for campeão, o time inglês chegará ao sétimo título e vai empatar com o Milan como o segundo maior campeão continental. O primeiro posto é absoluto do Real Madrid, vencedor 13 vezes.

A trajetória recente dos dois rivais mostra a volatilidade do futebol, seja nos resultados ou fora de campo.

O Liverpool viveu momentos dramáticos há pouco mais de uma década. Em 2011, o Royal Bank of Scotland deu cinco meses para aparecer um novo comprador ou o clube iria à bancarrota. Não havia mais como refinanciar os 237 milhões de libras (R$ 1,47 bilhão em dinheiro atual) emprestados pela instituição financeira.

A três dias do final do prazo e no meio de uma briga jurídica entre Hicks-Gillett com diretores apontados pelo banco, a Justiça decidiu que deveria ser aceita a oferta de consórcio liderado pelo americano John W. Henry, dono do Boston Red Sox, uma das mais tradicionais equipes da MLB (Major League Baseball), a liga profissional de beisebol dos Estados Unidos.

Imediatamente, foram pagos 200 milhões de libras (R$ 1,2 bilhão atualmente) do débito, e o Liverpool foi salvo.

Enquanto isso ocorria, o Real Madrid já armava a equipe que voltaria a conquistar a Europa. Ganhou a Champions em 2014. Voltaria a fazê-lo em 2016, 2017 e 2018. Neste último ano, contra o próprio Liverpool. Embora a política dos "galácticos", quando a agremiação contratava um superastro por temporada (Figo, Zidane, Ronaldo Fenômeno, Beckham) estivesse no passado, o clube ainda era o destino preferido de jogadores que desejavam o glamour, o dinheiro e os títulos.

"Você pode destruir outros times em um curto período, mas leva bastante tempo para construir uma fundação forte. Nós somos muito pacientes, mas agressivos", disse Henry, depois de ter assumido o comando do Liverpool, em uma de suas raras declarações públicas.

Ano após ano, a agremiação iniciou a caminhada de volta ao topo. Montou uma filosofia de contratações, melhorou a estrutura de captação de talentos e começou a investir em aquisições dentro de uma visão de médio e longo prazo.

O título inglês escapou de maneira dramática em 2014, quando um dos maiores ídolos da história do time, Steven Gerrard, escorregou diante de Demba Ba em jogo decisivo contra o Chelsea. A queda de Brendan Rodgers no ano seguinte abriu a porta para a chegada do treinador que mudaria tudo. O alemão Jürgen Klopp tinha a personalidade, o talento e o conhecimento de futebol que faltavam.

O Liverpool perdeu a final europeia para o Real Madrid em 2018, mas a venceu no ano seguinte. Também foi campeão mundial contra o Flamengo. O sonhado troféu da Premier League veio em 2020.

Enquanto tudo isso se dava, o Real Madrid, além da Champions, venceu mais três ligas espanholas, quatro edições do Mundial e uma Copa do Rei para manter o ritmo de uma das equipes mais vencedoras do planeta, por mais que na parte financeira as coisas não andassem muito bem.

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A final deste sábado opõe dois clubes com visões diferentes, administrações opostas e mudanças estruturais significativas nos últimos anos. Sem importar o resultado no placar, a meta do Real Madrid é terminar a reforma que deve transformar o Bernabéu no estádio mais moderno da Europa, começar a faturar com ele e pôr as contas em ordem. Talvez, até, com renascimento da Superliga. A meta do Liverpool é continuar o que já tem feito.

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