Se para as duas grandes empresas de celulose - Fibria e Suzano -, a fusão dos seus negócios, ou simplesmente a compra pelo lado da Suzano, é excelente para elas, para o Espírito Santo também deve ser considerado como um movimento positivo. Isso não somente por razões, até óbvias, de afinidades locais e de relacionamentos sólidos construídos ao longo dos anos.
De um lado, temos a Fibria, carregando no seu histórico, enquanto Aracruz, o pioneirismo da indústria de celulose no Espírito Santo. De outro, a Suzano, nascida como Bahia Sul, mas cujo projeto foi pensado inicialmente para o Norte do território capixaba. Esta empresa tem fortes laços com o nosso Estado através da sua base florestal e de sua logística, inclusive compartilhada com a Fibria.
O novo negócio que surge dessa operação será responsável por cerca de 16% do mercado global de celulose. Estarão sob o mesmo comando corporativo a produção de 10,8 milhões de toneladas anuais de celulose – 7,25 da Fibria e 3,6 da Suzano - e 1,3 milhão de toneladas de papel, da Suzano. Mexe com mercado nacional e internacional, reconfigurando-os, agora, sob uma liderança e poder de mercado mais fortes, com operação e logística como fatores competitivos desafiadores e diferenciadores, especialmente no mercado externo.
Temos aí um “jogo” típico de soma positiva, que é quando os dois lados da negociação extraem vantagens. Entre elas, sobressaem aquelas de natureza sinérgicas. Segundo dados já levados a público, os ganhos considerados como resultantes de aproveitamento de potenciais sinergias operacionais, de logística e de gestão poderão atingir uma cifra próxima de R$ 10 bilhões.
Observando e avaliando esse novo negócio sob a perspectiva do Espírito Santo, também é possível vislumbrarmos potenciais vantagens e ganhos futuros. É verdade que as unidades de operação da nova empresa estarão espalhadas por vários Estados e distantes entre si, mas não podemos perder de vista que, no caso do Espírito Santo, a infraestrutura logística se sobressai como um diferencial. Em nenhum outro Estado há bases de operação e infraestrutura logística – porto, ferrovia, aerovia e rodovia - tão próximas.
Sábia e também estratégica foi a ação rápida e pronta do BNDES em antecipar-se na decisão de abrir caminho para que o novo negócio pudesse viabilizar-se sob o comando de duas empresas nacionais. O BNDES detém 29% das ações da Fibria. Preserva-se, assim, em mãos nacionais, o que há de mais avançado no mundo na área de pesquisas de clones de eucalipto. E, nesse campo, o Espírito Santo aparece com pioneirismo e destaque, inicialmente com a Aracruz Celulose, depois com a Fibria.