O bem-estar coletivo é prioridade inequívoca da administração pública. É razão pela qual este jornal não se cansa de insistir na defesa de uma destinação mais eficiente dos recursos públicos. Mantém tremulando também a bandeira do ajuste fiscal, mas em termos distintos da prática dominante, que debilita somente os investimentos, em detrimento da manutenção e até mesmo do incremento das despesas de custeio.
É questão de racionalidade, de compreender que uma máquina administrativa inchada, com nomeações descriteriosas ou meramente políticas, não preza pela agilidade e pela eficácia dos serviços prestados. Saúde, educação, infraestrutura urbana... a população tem necessidades! Deve-se levar em conta que os investimentos capazes de produzirem melhoras substanciais na qualidade de vida da população também estão atrelados a contratações: mas o que se ressalta aqui é a oneração do Estado que pode muito bem ser contornada com parcerias público-privadas, só para citar uma das saídas possíveis.
Reportagem de ontem de Vinícius Valfré comprovou como quatro prefeituras da Grande Vitória priorizaram o custeio de 2016 para 2017. Enquanto na Serra e em Vitória houve aumento de 17% e 15%, respectivamente, nessas despesas, Vila Velha e Cariacica registraram cortes tímidos: 3,3% e 1%.
Tudo fica mais difícil no contexto de crise, com a escassez de arrecadação e a necessidade ainda maior de cortes orçamentários. Mas a premissa da qualidade dos gastos vale para tempos de mais prosperidade. O Estado precisa ser menor, o que não significa abandonar políticas sociais essenciais à população. O aumento de sua musculatura está diretamente ligado à queima dessa gordura. Qualquer justiça social que se almeje passa por um Estado mais racional e eficiente.