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Política

Ferraço se reaproxima de Hartung

Confira a coluna Praça Oito deste domingo, 18 de março

Publicado em 17 de Março de 2018 às 21:35

Públicado em 

17 mar 2018 às 21:35
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Praça Oito Crédito: Amarildo
A sessão plenária da última terça-feira na Assembleia Legislativa serviu para soprar para longe aquele último cisco de dúvida. Mais uma vez, o deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) foi à tribuna para defender, praticamente sozinho, o governo Paulo Hartung (PMDB) e a história do governador na luta pela democracia. Fez um discurso contundente. Ausente na sessão da véspera – na qual o bloco de oposição, cada vez mais organizado, passou o trator por cima –, o líder oficial do governo, Rodrigo Coelho (PDT), dessa vez apareceu, mas manteve a postura discreta e não foi para o embate franco com os oposicionistas.
Ou seja, na prática Enivaldo já arrancou a estrela de xerife do governo do peito de Rodrigo Coelho. Tipo “tira essa farda que você não é caveira”.
Mas o ponto da fala de Enivaldo que chamou mais atenção foi a manifestação veemente do deputado em apoio à reeleição do senador Ricardo Ferraço (PSDB), a quem fez rasgados elogios.
Nos bastidores, sabe-se que o chefe da Casa Civil, José Carlos da Fonseca Júnior (PSD) – correligionário e um dos principais aliados de Enivaldo –, tenta emplacar o próprio nome como 1º suplente na chapa de algum candidato ao Senado apoiado pelo Palácio Anchieta. Uma opção é Amaro Neto. Recém-filiado ao PRB, Amaro é pré-candidato ao Senado com as graças e sob a proteção do Palácio Anchieta.
Outra opção para Zé Carlinhos, pelo visto, pode ser procurar se acomodar na chapa de Ricardo Ferraço.
Além disso, o gesto de Enivaldo reforça a convicção de que Ferraço se reposicionou sob o guarda-chuva de Hartung. Em parte, isso explica o porquê do silêncio do pai do senador, Theodorico Ferraço (DEM), ao longo deste ano, no plenário da Assembleia. Desde fevereiro de 2017, Theodorico tem se declarado deputado de oposição a PH. Começou fazendo grandes ameaças, as quais porém nunca foram cumpridas. Ao longo do ano passado, mordeu a canela do governador de modo muito episódico e sem provocar nenhum estrago político.
Neste ano, até agora, Theodorico mal abriu a boca. Tanto que, na prestação de contas do governador aos deputados, no dia 28 de fevereiro, Theodorico não se inscreveu para participar da sabatina, frustrando assim um muito aguardado confronto de gigantes.
Cada vez que abre a boca, Theodorico Ferraço reafirma: não há a menor chance de reconciliação com Paulo Hartung e, na eleição deste ano, ele com certeza estará no palanque da oposição. Mas pode ser que o pai tenha se imposto um autossilenciamento, ainda que momentâneo, evitando movimentos mais ostensivos contra o governo para não se chocar com o filho, que se reaproxima do Palácio. No mercado político, essa reaproximação é encarada como boia de salvação para que Ricardo Ferraço tenha alguma chance de se reeleger senador. Theodorico sabe disso e na certa não quer atrapalhar.
Outra hipótese é que, a esta altura da vida e da trajetória política, o leão de Cachoeiro esteja cansado e no fundo já não esteja muito aí para nada disso. Priorizando claramente o retorno ao poder em Itapemirim, na figura de sua esposa, Norma Ayub (DEM), Theodorico pode não estar querendo gastar energia à toa, brigando para cima com Hartung e seu exército palaciano.
Antenas no radar do MP
O Ministério Público Estadual, por meio da 27ª Promotoria de Justiça Cível de Vitória, instaurou na última terça-feira inquérito civil público para apurar suposto fornecimento de antenas de telefonia móvel pelo secretário estadual de Agricultura, Octaciano Neto (PSDB), com o fim de obtenção de apoio eleitoral. O procedimento foi instaurado após distribuição de notícia-fato. Segundo o promotor responsável pelo inquérito, “existem indícios suficientes de lesão a interesses difusos e coletivos, a exigirem atuação da Curadoria do Patrimônio Público”.
Autor: deputado estadual
A portaria de instauração do inquérito civil não traz o nome do autor da denúncia, mas dá uma pista: o promotor determina que se oficie “o Excelentíssimo Sr. Deputado Estadual, através da Procuradoria-Geral de Justiça, para que, querendo, ofereça maiores informações acerca da representação encaminhada”.
Quem será?!?
Eu claramente não faço ideia. Sério.
Fogo amigo
Também na última terça-feira, o deputado José Esmeraldo (PMDB), que se diz da base do governo Paulo Hartung, fez um pronunciamento inacreditável “denunciando” que estão lhe “passando a perna” no rateio das antenas pelo secretário entre os membros da base. “Das minhas torres eu não abro mão. Não admito que deputados aqui tenham três, quatro torres de telefonia móvel, e eu não tenha nenhuma. Sou da base. Eu acreditei, confiei. Ninguém aqui vai me passar a perna não! Não sei qual foi o esquema que armaram, mas isso não vamos aceitar.”
Temos um campeão!
Em matéria de troca de partidos, o deputado estadual Amaro Neto tem se mostrado um recordista na política estadual. Eleito pelo PPS em 2014, trocou de partido três vezes em dois anos e meio: do PPS foi para o PMB (o Partido da Mulher Brasileira, que o que menos tem são mulheres em seus quadros) no fim de 2015; deste foi para o Solidariedade, no início de 2016, e agora acaba de se filiar oficialmente ao Partido Republicano Brasileiro (PRB). Pode conseguir ou não se eleger senador. Mas esse título ninguém tira mais dele.
Cais do Surfe
A obra está parada há anos, mas o deputado Josias da Vitória (PPS) parece ter percebido o fato agora. Antes de ir fazer “visita técnica” ao inconcluso Cais das Artes, na última quarta-feira, o parlamentar fez três pronunciamentos seguidos criticando a paradeira e o desperdício de dinheiro público na obra, manchete de A GAZETA na edição de terça-feira. No mesmo dia, da tribuna da Assembleia, afirmou que a obra foi feita por “vaidade”.
Alô geral
Cultura é sempre bem-vinda – algo que, diga-se de passagem, poucos naquela Casa parecem compreender, vide o recente projeto, vetado pelo governador, que patrocinava censura às artes, apresentado por Euclério Sampaio e apoiado por Da Vitória (parceiros na oposição). Também são muito bem-vindos grandes concertos e exposições, algo que o Cais das Artes foi projetado para abrigar. O que não é nem um pouco bem-vindo é mau uso de dinheiro público. Nem oportunismo.
Colnago, Colnago...
Pivô do mais recente barraco do PSDB estadual, a agora ex-presidente do Tucanafro no Estado e ex-tucana Fernanda Pereira apoiou César Colnago e chegou a cargo no governo nos braços do vice-governador. Como membro da Executiva do partido em Vitória, deu um dos votos decisivos a favor da filiação de Octaciano Neto, aliado de Colnago, em outubro de 2017. E fez parte da chapa de Colnago na convenção estadual do PSDB, em novembro.
Que fase do PSDB!
Fernanda é acusada de faltar demais ao serviço na Secretaria de Ciência e Tecnologia, onde está lotada. Por sua vez acusa o secretário, Vandinho Leite (também tucano e também ligado a Colnago), de racismo e perseguição política...
PCC
O último ponto de discórdia e rebuliço no ninho tucano foi a resolução baixada por Colnago, presidente estadual do PSDB, transferindo para a Executiva estadual as filiações ao partido no Espírito Santo a partir de agora – ou seja, concentrando em si mesmo esses poderes. Tem tucano comentando que o PSDB virou o PCC: Partido César Colnago.
Cena política
Em nove de cada dez discursos que faz, o deputado Zé Esmeraldo (PMDB) aborda a segurança pública, quase sempre em tom sensacionalista e repetindo o seu amado bordão: “A lei é benevolente! A lei é frouxa!” Nesta semana, porém, se superou: “Tem que fazer igual fazem lá no Iraque! Igual fazem em outros países aí: China, Coreia do Norte etc.” Claro, ótimos exemplos, né? Só que não. Em tempo: o que anda frouxa mesmo na Assembleia é a base governista, representada (e sabotada) por Esmeraldo.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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