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História

Exposição reforça passado para onde não queremos voltar

Me preocupa ver pessoas relativizando os anos da ditadura, afirmando que o retorno seria a melhor opção

Publicado em 21 de Setembro de 2018 às 20:21

Públicado em 

21 set 2018 às 20:21

Colunista

Exposição no Instituto Tomie Ohtake debate efeitos da ditadura militar na arte brasileira Crédito: Instituto Tomie Ohtake/ Reprodução

Isabela Castello*

Visitei recentemente a exposição “AI-5 50 anos – Ainda não terminou de acabar”, no Instituto Tomie Othake, em São Paulo. A exposição busca discutir os custos da retirada de direitos democráticos para o imaginário cultural do país, em resposta aos 50 anos do Ato Institucional Nº 5, marco do agravamento do totalitarismo da ditadura civil-militar brasileira.

Segundo o curador, Paulo Miyada, a pesquisa tem como núcleo a produção de artes visuais do período, com obras que nasceram em tensão com a interdição da opinião política, criminalizada pelas práticas de censura e repressão.

Achei extremamente oportuna a exposição. Nasci na década de 1970, então não vivi diretamente os anos mais duros da ditadura, mas acompanhei ainda bem jovem a felicidade com a reconquista dos direitos políticos.

Precisamos olhar para o passado, aprender com ele e não repetir os erros

Hoje, me entristeço e me preocupo quando vejo pessoas relativizando este período tão dramático, como se a perda dos direitos civis, políticos e da liberdade de expressão fosse algo pouco importante para a sociedade.

Vemos uma parte significativa da população apoiando políticos que têm postura antidemocrática expressando medo de um novo governo do PT. Não sou petista e não gostaria de ver o PT no poder novamente. Reconheço todos as mazelas do PT, especialmente levar os níveis que corrupção - que já existia antes deles - a patamares elevadíssimos. Mas me preocupa ver pessoas relativizando os anos da ditadura, afirmando que o retorno a ela seria a melhor opção ou acreditando que votar em Bolsonaro vai nos salvar da grave crise que assola o país.

Estas pessoas estão dando o recado de que não fazemos tanta questão da democracia e dos direitos civis, conquistados a duras penas... Foi assim em 64. Com medo do comunismo, parte da elite do país apoiou o golpe... e só reconquistamos nossos direitos 21 anos depois.

O risco de retroagirmos neste aspecto parece algo distante e remoto, mas é uma tendência mundial. A ONG Freedom House divulgou o documento “Liberdade no Mundo 2018: A Democracia em Crise” que aponta que a democracia está sob ataque e a recuar em todo o mundo. O ano de 2017 foi o 12º ano consecutivo de queda da liberdade global, em que 71 países sofreram declínios nos direitos políticos e nas liberdades civis.

Por isso a importância desta exposição. Precisamos olhar para o passado, aprender com ele e não repetir os erros.

*A autora é administradora e designer

 

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