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Objetos flutuantes e luzes piscantes: o que revelam documentos sobre óvnis divulgados pelo Pentágono

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos divulgou na sexta-feira (08/05) um grande volume de transcrições, vídeos e áudios sobre objetos voadores não identificados que estão há décadas em seus arquivos. Será que a divulgação responde às perguntas de ufólogos?

Publicado em 09 de Maio de 2026 às 18:34

BBC News Brasil

Publicado em 

09 mai 2026 às 18:34
Imagem BBC Brasil
Um objeto não identificado (ponto preto) capturado sobre o oeste dos Estados Unidos em dezembro de 2025 Crédito: Departamento de Defesa dos EUA/Divulgação via REUTERS
O lote de documentos inéditos divulgados pelo Pentágono sobre óvnis inclui descrições de avistamentos — relatados por civis na Terra e por astronautas na Lua.
Os documentos, que abrangem décadas, foram tirados de sigilo e publicados online na sexta-feira (08/05), por ordem do presidente dos EUA, Donald Trump, que disse no início deste ano que os divulgaria "com base no enorme interesse demonstrado".
Os EUA têm visto um renovado interesse público em vida extraterrestre nos últimos anos. Em 2022, o Congresso realizou as primeiras audiências sobre óvnis em 50 anos e os militares prometeram mais transparência sobre o assunto.
Os 161 arquivos estão acessíveis no site do Departamento de Defesa, e mais serão divulgados em breve.
A divulgação dos arquivos na sexta-feira ocorre depois que o ex-presidente americano Barack Obama despertou ainda mais interesse ao afirmar, em uma entrevista em fevereiro, que os alienígenas eram "reais, mas eu não os vi".
Desde então, Obama esclareceu seus comentários, dizendo que, estatisticamente, as chances de haver vida lá fora são altas, mas que ele não viu "nenhuma evidência" enquanto era presidente.
No final de fevereiro, Trump ordenou ao Pentágono a divulgação de arquivos "relacionados à vida alienígena e extraterrestre, fenômenos aéreos não identificados (UAP) e objetos voadores não identificados (óvnis)".
Os arquivos divulgados na sexta-feira incluem décadas de memorandos militares tirados do sigilo, relatórios das missões Apollo à Lua e relatos de indivíduos que afirmam ter testemunhado um óvni — ou objeto voador não identificado — que suspeitam ter origem extraterrestre.

Astronautas da Apollo descreveram flashes de luz

Imagem BBC Brasil
Uma vista da Lua durante a missão Apollo 12 em 1969, com um clarão não identificado destacado e ampliado Crédito: Departamento de Defesa dos EUA
Os arquivos contêm transcrições anteriormente mantidas em sigilo dos astronautas a bordo das missões Apollo 11, Apollo 12 e Apollo 17, que pousaram na Lua nas décadas de 1960 e 1970.
Buzz Aldrin, o famoso astronauta da missão Apollo 11, disse em uma entrevista de 1969 publicada na sexta-feira que viu vários fenômenos inexplicáveis ​​em sua viagem à Lua.
"Observei o que parecia ser uma fonte de luz bastante brilhante, que atribuímos provisoriamente a um possível laser", disse ele.
As transcrições mostram que o astronauta da Apollo 12 Alan Bean que caminhou na Lua em 1969, disse ter visto partículas e flashes de luz "navegando no espaço" durante a missão. As partículas pareciam estar "escapando da Lua", segundo ele.
Dois astronautas a bordo da missão Apollo 17, em 1972, também relataram ter visto luzes piscantes enquanto estavam a bordo. "É como o 4 de julho lá fora!", disse o astronauta Jack Schmitt. Eles acrescentaram que a luz poderia ter sido reflexos em pedaços de gelo.
Em outro dos arquivos divulgados, uma gravação de áudio do voo espacial Gemini 7 de 1965 apresenta a comunicação entre o astronauta Frank Boman e o suporte em solo. Ele relata o avistamento de um objeto não identificado ao controle da missão da Nasa, descrevendo um "bicho-papão" e "trilhões de pequenas partículas" vistas à esquerda da espaçonave.

Objetos flutuantes emergindo da luz

Entre os relatórios divulgados ao longo de décadas nos arquivos encontram-se dezenas de relatos individuais de avistamentos de fenômenos anômalos não identificados, ou UAPs.
Um arquivo mostra que um homem disse ao FBI em uma entrevista de 1957 que testemunhou um grande veículo circular emergindo do solo.
Há também entrevistas de setembro e outubro de 2023 nas quais cidadãos americanos relatam objetos metálicos pairando no ar e se materializando em meio a uma luz intensa.

Avistamentos militares no Iraque, na Síria e nos Emirados Árabes Unidos

Os arquivos também incluem vídeos gravados pelos militares dos EUA no Oriente Médio datados de 2022.
Imagens do Iraque, da Síria e dos Emirados Árabes Unidos mostram o que o site do Pentágono chama de "fenômeno anômalo não identificado e não resolvido".
Imagens de 2022 gravadas em um local não divulgado no Oriente Médio registram um objeto oval cruzando da esquerda para a direita, que um relatório que o acompanha classificou como um "possível míssil".

Um bom primeiro passo, mas precisamos de mais, dizem legisladores

O deputado republicano Tim Burchett, do Tennessee, já havia defendido maior transparência governamental sobre avistamentos de óvnis. Ele saudou a divulgação dos arquivos pelo Pentágono, chamando-a de um "ótimo começo" em uma postagem no X.
A republicana Anna Paulina Luna, deputada pela Flórida, também defende a transparência sobre essa questão. Ela chamou a divulgação de "um primeiro passo enorme na direção certa" em um comunicado.
No entanto, a ex-deputada Marjorie Taylor Greene, antiga aliada de Trump que rompeu com o presidente e deixou o Congresso, disse que a divulgação foi uma distração de questões mais urgentes que os americanos enfrentam, como a acessibilidade dos preços e a guerra no Irã.
"Estou farta da propaganda do 'olhem para o objeto brilhante'", disse Greene em uma postagem no X.

Divulgação do Pentágono responde perguntas de ufólogos?

A divulgação dos documentos pelo Pentágono era aguardada ansiosamente pela comunidade de ufólogos. Segundo os pesquisadores e entusiastas de óvnis, a revelação seria um passo em direção a uma maior transparência — e a respostas sobre o que há "lá fora".
"Enquanto administrações anteriores falharam em ser transparentes sobre este assunto, com esses novos documentos e vídeos, o povo pode decidir por si mesmo: 'QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO?'", escreveu Donald Trump no Truth Social após a divulgação dos documentos. "Divirtam-se e aproveitem!"
John Erik Ege, diretor regional da MUFON Texas (MUFON significa Mutual UFO Network), disse estar "intrigado".
Imagem BBC Brasil
John Erik Ege acompanha notícias sobre óvnis desde a adolescência Crédito: Arquivo pessoal
"Acho que este é um passo na direção certa", disse Ege, um terapeuta que acompanha o assunto desde criança.
"Não acho que estejam tentando esconder nada, mas as informações que estão divulgando são coisas que já sabemos há muito tempo."
"Não há detalhes novos. Não há provas concretas de que tenham os corpos ou de que tenham feito contato, mas estou muito esperançoso de que estejamos caminhando na direção certa."
Apesar das revelações sobre informações militares sigilosas, relatórios das missões Apollo à Lua e relatos de indivíduos, os arquivos divulgados não contém nenhuma revelação bombástica — nem qualquer confirmação de vida extraterrestre.
Ainda assim, representam o mais recente reconhecimento claro do governo dos EUA de que investigou avistamentos de objetos não identificados.
Muitos ufólogos e entusiastas de óvnis estavam cientes de que, embora tenham considerado a divulgação "decepcionante", o conjunto de informações pode ser revelador para o leitor comum.
"Esses documentos não são direcionados apenas a pessoas da comunidade ufológica, mas... ao povo americano e ao público em geral — para dar algum tipo de garantia de transparência", disse Daniel Jones, 36, um dos administradores da página do Facebook da Rede de Óvnis do Texas, que tem mais de 25.000 membros.
Jones, que ficou noivo no ano passado em um festival de óvnis, disse que sabia que "este primeiro lote de arquivos provavelmente não conteria nada extremamente substancial" – mas ele está "esperançoso de ver mais detalhes por parte do governo" em divulgações futuras.
Elaine Loperena, de 69 anos, também está otimista. Na manhã de sexta-feira, enquanto examinava os documentos em seu tablet, ela estava em sua cozinha e não viu muita coisa que lhe chamasse a atenção como nova ou surpreendente — embora tenha passado a vida inteira pesquisando sobre óvnis.
Esperando por respostas desde criança, quando sua mãe jurou ter visto um óvni, Loperena continua muito entusiasmada com a decisão do governo de divulgar os documentos.
"Eu sabia que Trump ia anunciar isso; eu sempre disse isso", afirmou Loperena, de 69 anos, que mora em Clovis, Califórnia. "Sabe, ele quer entrar para a história; todos nós sabemos que ele tem um ego, e, coitado, ele está firme em suas convicções e dando início ao processo."
Imagem BBC Brasil
Imagens de arquivo da missão Apollo 17 à Lua. Em destaque, três luzes são visíveis acima do terreno lunar Crédito: Departamento de Defesa dos EUA
A busca por respostas tem se intensificado e se tornado mais visível na comunidade ufológica recentemente, disse ela, que administra um grupo dedicado a óvnis no Facebook.
O grupo tinha cerca de 40.000 membros quando ela entrou, há cerca de três anos, mas agora o número se aproxima de 100.000 — "e isso aconteceu apenas nos últimos meses", disse ela sobre o recente aumento.
"O que é único, e torna tão difícil esconder isso, é o fato de que agora existem entrevistas, atuais e antigas, com pessoas que sabiam, que tinham conhecimento disso, que serviram nas forças armadas e que discutiram o que sabiam, o que viram, e até mesmo em seus leitos de morte falaram sobre isso", disse ela.
"Está começando a fluir agora... Eu vejo isso ganhando muita velocidade, e não vai retroceder; com certeza vai avançar", disse ela. "A bola de neve está ficando cada vez maior."
Assim como Jones no Texas, Loperena espera que os arquivos divulgados na sexta-feira sejam apenas a ponta do iceberg — com muito mais por vir.
"Essa divulgação precisa ser feita da maneira correta", disse ela. Quando chegar a hora de revelar toda a verdade que ela acredita existir, isso tem que acontecer de forma "bipartidária", afirma.
Loperena teme que "as pessoas não acreditem" se os detalhes vierem apenas de Trump e sua administração, devido às divisões políticas nos EUA.

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