Está em curso um movimento de reação da indústria às perdas no comércio exterior, causadas pelo protecionismo global, que já afeta 14% das exportações brasileiras. E não foi Trump quem a criou - embora aposte no confronto. Desde 2012, segundo vários estudos, foram estabelecidas no mundo todo mais de 1,7 mil medidas que inibem importação de produtos.
A Confederação Nacional da Indústria está divulgando um documento que identifica 20 barreiras internacionais altamente nocivas ao Brasil. São subsídios e cotas tarifárias, além de dificuldades sanitárias e técnicas. No caso de tensão máxima na guerra tarifária entre EUA e China, com rebatimento em outras potências, as tarifas médias aplicadas às exportações brasileiras subiriam dos atuais 5% para 32%, enfraquecendo o PIB do país. O Espírito Santo seria fortemente afetado, pela sua dependência do exterior.
As exportações do Brasil ainda estão sujeitas a uma maratona de até 46 procedimentos, até 12 órgãos. Esse exagero elevou em 23% o custo dos embarques em 2017, de acordo com relatório do programa Brasil Eficiente, do governo federal
A CNI pede diálogo com países parceiros e empenho da Organização Mundial do Comércio visando a superar entraves. Por sua vez, a Câmara Americana de Comércio (Amcham) cobra do próximo presidente da República atos que simplifiquem operações internacionais. Com razão. As exportações do Brasil ainda estão sujeitas a uma maratona de até 46 procedimentos, até 12 órgãos. Esse exagero elevou em 23% o custo dos embarques em 2017, de acordo com relatório do programa Brasil Eficiente, do governo federal.
Já a Fiesp tem um estudo no qual enfatiza que o excesso de custo é mais prejudicial às exportações do que as proteções, tarifárias ou não. Ressalta que produzir no país é 30% mais caro do que em seus principais parceiros comerciais. Além disso, os EUA baixaram a carga tributária para as empresas, e parte da União Europeia está fazendo o mesmo. No Brasil ocorre o contrário.
O Espírito Santo foi o quarto Estado com maior movimentação portuária em 2017 (ao todo, 148,3 milhões de toneladas), mas tem suas próprias barreiras ao comércio exterior. Está na logística de transporte. As principais rodovias (BRs 101 e 262) precisam de obras, a estrada de ferro que vai ao Sul do Estado é apenas um sonho e gargalos portuários afastam linhas marítimas de nossa costa. Resta-nos esperar os novos portos em implementação: o da Petrocity Portos, no município de São Mateus; o da Imetame, em Aracruz; e o Porto Central, em Presidente Kennedy.