A senadora Gleisi Hoffmann é mais uma líder petista que recorre a bravatas diante da possibilidade da prisão de Lula após o julgamento do recurso, na próxima semana, em Porto Alegre. É algum tipo de ameaça real afirmar que, para o ex-presidente ser preso, “vai ter que prender muita gente, mais do que isso, vai ter que matar gente”? Ou apenas uma estratégia desgastada de insuflar correligionários? O que fica explícito, contudo, é somente o tamanho do desprezo do PT pelas instituições republicanas.
Lula não está acima do bem e do mal. Não é um ser intocável, mesmo que tenha chegado ao Planalto duas vezes. Esse recurso é uma garantia do Estado de direito, graças a ele o ex-presidente é julgado numa segunda instância, com ampla defesa. Como ex-presidente, deveria defender as instituições democráticas acima de qualquer coisa. Não é o que acontece.
A prisão imediata do petista, inclusive, já foi descartada pelo próprio Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). A questão é política. Com a confirmação da condenação, Lula passa a se enquadrar na Lei da Ficha Limpa, que pode deixá-lo inelegível por oito anos. Ironicamente, uma legislação que só existe hoje por conta do clamor popular, sancionada por seu próprio punho, em 2010.
Os dias que precedem o julgamento têm revelado posturas nada republicanas. A pressão política de militantes sobre os três juízes tem sido nociva e criminosa. O presidente do TRF-4 chegou a denunciar supostas ameaças recebidas pela Corte. A intimidação é perigosa e irresponsável, por isso a segurança será tão importante em Porto Alegre.
Líderes petistas deveriam tomar a frente na defesa de um julgamento pacífico, e não incitar a violência. Nem mesmo como mera força de expressão, como justificou Gleisi posteriormente.