Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Esportes
  • Receitas dos clubes caem até 26% com veto a bets e trio é quem mais sofre
Impacto

Receitas dos clubes caem até 26% com veto a bets e trio é quem mais sofre

Flamengo, Corinthians e Palmeiras tiveram os maiores impactos em suas receitas devido ao veto

Publicado em 27 de Outubro de 2026 às 14:56

Agência FolhaPress

Publicado em 

27 out 2026 às 14:56
Flamengo e Corinthians pela vigésima sétima rodada do Campeonato Brasileiro
Flamengo e Corinthians pela vigésima sétima rodada do Campeonato Brasileiro Agência Enquadrar/Folhapress

Flamengo, Corinthians e Palmeiras tiveram os maiores impactos em suas receitas devido ao veto às bets no Brasil, segundo levantamento produzido pelo economista Cesar Grafietti a pedido da reportagem.


Os cálculos, realizados a partir do Relatório Convocados, também produzido por Grafietti e publicado em maio, consideram a saída dos valores de patrocínios e também das placas de publicidade em relação à receita recorrente dos dez clubes com os maiores patrocínios de casas de apostas na Série A. Receitas recorrentes são consideradas aquelas de alta previsibilidade, e, por isso, não foram incluídas cifras de transferência de atletas e premiação da Copa do Mundo de Clubes de 2025 no levantamento.


O Flamengo lidera a lista, com queda de 26% nas receitas. O clube tinha R$ 1,3 bilhão e, com a perda de R$ 334,5 milhões em patrocínio e placas, a receita ajustada ficou em R$ 967,2 milhões. Na sequência está o Corinthians (-23%), que baixou de R$ 879,4 milhões para R$ 681,4 milhões, com perdas de R$ 198 milhões, ao todo. O Palmeiras perde 22%: de R$ 733 milhões para R$ 570 milhões, após deixar de ganhar R$ 163 milhões em patrocínio e placas.


Responsável pelo levantamento, Grafietti observa que o cenário é de despreparo diante de tamanhas perdas de receita, não só para aqueles com as reduções mais drásticas. "Os clubes não estão prontos para lidar com o corte abrupto. Estamos discutindo a proibição absoluta e o encerramento da indústria do dia para a noite. Nenhuma indústria estaria preparada para isso. Não existe a possibilidade de qualquer indústria que tem um perfil de receita perder esse valor e não ter impacto", disse Cesar Grafietti, economista.


O levantamento feito por Grafietti calcula também um segundo cenário. Nele, se considera que o veto às bets valha apenas até o fim do ano. Ou seja, considerando só as perdas de receita de outubro até dezembro de 2026. Esse cenário só será possível se a MP que vetou as bets for derrubada no Congresso.


Nesta conjuntura, Flamengo, Corinthians e Palmeiras perderiam 6% de suas receitas anuais em 2026. Em seguida estão Vasco (5%), São Paulo (5%), Botafogo (4%), Atlético-MG (4%), Fluminense (4%), Santos (3%) e Cruzeiro (2%).

Betano, patrocinadora master do Flamengo
Betano, patrocinadora master do Flamengo MyPhoto Press/Folhapress
Como os clubes observam e lidam com o veto?

Quase um mês após o veto do governo federal, o cenário permanece de incerteza e apreensão entre os clubes ouvidos pelo UOL: as preocupações variam entre se preparar para uma queda abrupta nos ganhos a partir de janeiro, encontrar patrocinadores pontuais e, principalmente, esperar pela aprovação - ou não - da MP na Câmara."Claro que dá pra se adaptar, [o futebol] não vai acabar, mas teria que haver uma ruptura mais lenta. Tem clube que não sustenta. Se não tivermos [patrocínios de] bets de jeito nenhum, óbvio que vamos retomar com outros setores, mas entendendo que são valores muito inferiores", afirmou o executivo de marketing de um grande clube da Série A.


Com a atual conjuntura, há clubes procurando formas de driblar a medida do governo, como Fluminense e São Paulo, que antes tinham a Superbet como máster e usarão, temporariamente, a Superscore no lugar. Trata-se de um app de resultados e dados esportivos que pertence à casa de apostas, mas não exibe publicidade, odds ou sugestões de apostas, segundo a justificativa dos clubes.


Há outros, como Santos e Corinthians, que anunciam patrocínios pontuais - o primeiro, até o fim do ano, e o segundo, por jogo. Já o Palmeiras mantém vigente seu contrato com a Sportingbet, embora não a utilize no patrocínio.


Institucionalmente, o Flamengo é um dos clubes que mais se opõem ao veto: logo após o anúncio da MP, o Rubro-Negro emitiu um comunicado contra o veto integral, o qual considera atingir todo o esporte, não apenas os clubes mais ricos. "O jogo não vai acabar com uma canetada", argumentou o clube, que acionou o STF para derrubar a proibição.


O diretor de outro clube de relevância nacional vê o cenário como de "caos financeiro" no futebol brasileiro: "Ninguém sabe o que vai acontecer. O caminho mais razoável por sgora seja o congelamento. E, nesse meio-tempo, explorar alguma oportunidade de patrocínio pontual. Nem rescindir nem ficar pagando algo que não dá pra usufruir. Vai ser caótico, é muita gente buscando patrocínios ao mesmo tempo. Tem muito desespero."

Bets já haviam recuado em 2026

Um estudo recente do Ibope apontou que, sobretudo devido ao ajuste regulatório do setor, houve um recuo de 18% nos patrocínios de casas de aposta aos clubes brasileiros entre 2024 e 2026, caindo de 17 para 14 contratos - anterior ao veto do mês passado. "É um ajuste natural, já que se trata de um mercado relativamente novo", afirmou Danilo Amâncio, autor do estudo.


Para além dos números, especialistas ouvidos pelo UOL também abordaram uma queda natural do patrocínio das bets no Brasil, anterior ao veto e independente dele. "Quando a Caixa saiu na década passada, houve uma redução. Agora vai ser muito maior. O downsize já ocorria com as bets ativas, inclusive. No começo do ano havia clubes sem bets e sem conseguir patrocínios. Vai ser um caos financeiro", avaliou o executivo de marketing de um clube grande paulista.


Com o veto total ou apenas uma possível redução, não há segmento capaz de igualar os valores das casas de aposta, assegura Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo: "Nenhum setor por pode substituir as casas de aposta. O que elas colocavam é muito fora de qualquer outro segmento de antes. Não há ninguém pronto para substituir as casas de apostas. Nenhum outro na história do futebol brasileiro chegou perto."

Dano às famílias

No ano passado, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as apostas esportivas (bets), registrando uma média de R$ 4,7 bilhões mensais entre outubro de 2024 e março de 2026, segundo o Boletim Fiscal dos Estados do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda). Nesse período, as transações via Pix movimentadas pelas casas de apostas somaram quase R$ 351 bilhões. Esse prejuízo financeiro para a população representa 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias brasileiras.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Emerson Leal
Morre Emerson Leal, ex-jogador do Grêmio que infartou em jogo com amigos
Helder Salomão foi candidato a governador do ES pelo PT
O destino de Helder Salomão após as eleições de 2026
Flávio Bolsonaro (PL) encolheu em quantidade de bairros, mas se manteve como preferido do eleitorado.
Em Cariacica, Flávio Bolsonaro venceu em 40 bairros, e Lula ganhou em 22 no 2º turno; veja mapa

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.